ESECS - Mestrado em Mediação Intercultural e Intervenção Social
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Browsing ESECS - Mestrado em Mediação Intercultural e Intervenção Social by advisor "Margarido, Cristovão Adelino Fonseca Franco Ribeiro"
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- A Mediação Intercultural nas Equipas de RuaPublication . Gordo, Vanda Sofia Antunes; Margarido, Cristovão Adelino Fonseca Franco RibeiroEsta dissertação explora o papel da mediação intercultural no contexto das equipas de rua, centrando-se nas dinâmicas e desafios enfrentados por três instituições situadas nos arredores de Leiria: a ANOII - Associação Novo Olhar II, na Marinha Grande a Cáritas Diocesana de Coimbra, em Coimbra e a InPulsar - Associação para o Desenvolvimento Comunitário, em Leiria. A mediação intercultural é uma prática essencial para promover a compreensão e a cooperação entre grupos culturais diversos, especialmente em contextos sociais vulneráveis. A intervenção de equipas de rua, que desempenham um papel crucial no apoio a populações marginalizadas, pode ter um impacto significativo recorrendo a estratégias de mediação intercultural, influenciando tanto a qualidade do suporte prestado quanto a eficácia das intervenções realizadas. As equipas de rua são responsáveis por oferecer suporte direto a indivíduos em situações de vulnerabilidade, facilitando o acesso a serviços essenciais e promovendo a inclusão social. Nesse contexto, a mediação intercultural revela-se uma ferramenta fundamental para garantir que as intervenções sejam sensíveis às especificidades culturais dos utentes, contribuindo para uma integração mais efetiva e um suporte mais adequado às necessidades dos indivíduos assistidos. O objetivo geral desta pesquisa é compreender as práticas de mediação intercultural e avaliar a sua importância nas intervenções realizadas por equipas de rua. Para alcançar esse objetivo, a pesquisa debruça-se sobre várias questões específicas. Primeiramente, busca-se investigar se as equipas de rua das associações ANOII, Cáritas e InPulsar utilizam estratégias de mediação intercultural durante suas intervenções. Além disso, a pesquisa examina se são valorizados parâmetros como a escuta ativa, a negociação e o diálogo nas relações entre utentes e técnicos, bem como entre as instituições envolvidas. Outro aspeto relevante é descrever como os contactos dos utentes com essas instituições são estabelecidos e mantidos, além de analisar as opiniões de técnicos e utentes sobre o uso das estratégias de mediação intercultural. Por fim, a pesquisa procura compreender o funcionamento das intervenções das equipas de rua dessas associações. As técnicas de recolha de dados são de índole qualitativa, com foco em entrevistas semiestruturadas como principal ferramenta de recolha de dados. Esta abordagem foi escolhida para permitir uma exploração profunda das experiências e perceções de profissionais e utentes, das três instituições. As entrevistas foram realizadas com uma amostra representativa de profissionais das equipas de rua e de utentes das associações ANOII, Cáritas e InPulsar. O objetivo era obter uma compreensão abrangente das práticas de mediação intercultural e dos desafios enfrentados no trabalho de rua. Os resultados da pesquisa revelam uma variedade de perspetivas sobre a eficácia e os desafios da mediação intercultural nas equipas de rua, onde se observam que apesar das divergências da utilização das práticas da mediação intercultural, as instituições referem de igual forma que estas práticas assumem um papel importante na promoção da comunicação, da cooperação e da integração entre diferentes culturas, reduzindo tensões e resolvendo conflitos que podem surgir devido às diferenças culturais.
- A(voz) e NetosPublication . Ferreira, Ana Sofia Marques; Margarido, Cristovão Adelino Fonseca Franco RibeiroA pluralidade de culturas que caracteriza a sociedade portuguesa pode trazer-nos um conjunto de aprendizagens positivas e benéficas para o nosso desenvolvimento e para uma melhor compreensão do outro pois “Há uma transformação do eu sempre que se aprendem novos conhecimentos, seja na escola, seja nos diversos contextos culturais” (Vieira e Vieira, 2016:37). A mediação intercultural procura intervir mostrando a importância da criação de alternativas à resposta quase imediata para o que surge de diferente: incompreensão e tolerância. É preciso aprender a conviver e a mediação é “ o acto de tecer laços entre as pessoas por mais distintas que possam, à primeira vista, parecer” (Montenegro, 2008: s.p). Tendo estes pressupostos em consideração, o trabalho realizado no estágio teve como meta potenciar atividades musicais como promotoras de mediação intercultural. Procurando perceber de que forma a música poderia ser um meio de promover a mediação intercultural, foram realizadas um conjunto de atividades com o objetivo de fomentar a interação entre crianças e idosos, utilizando a música como elemento chave de ligação/estabelecimento de pontes (Torremorell, 2008). Através da realização destas atividades, pudemos constatar que estas se constituíram como fulcrais para a aproximação destas duas populações. Este trabalho encontra-se dividido em três partes fundamentais: 1 - enquadramento teórico, 2 - enquadramento metodológico, 3 - enquadramento institucional e atividades desenvolvidas. Inicia com uma introdução e termina com uma reflexão final.
- Acolhimento e inclusão de alunos e famílias provenientes de contextos culturais e étnicos diversos em escolas do município de LisboaPublication . Deus, Joana Aleixo; Margarido, Cristovão Adelino Fonseca Franco RibeiroEste projeto nasce da vontade de responder a desafios com os quais me tenho deparado ao longo de vários anos, no meu dia a dia de trabalho, nas escolas no município de Lisboa, em particular com alunos e famílias imigrantes. Tenho o privilégio de colaborar com a Associação Renovar a Mouraria, uma Organização Não Governamental para o Desenvolvimento de utilidade pública, dedicada à promoção da inclusão e apoio a comunidades migrantes, sendo fundamental para a construção deste projeto. O conhecimento adquirido através do trabalho na Associação Renovar a Mouraria tem alimentado a minha determinação em desenvolver um projeto de intervenção, em contexto escolar, que aborde as necessidades específicas das comunidades provenientes de contextos étnicos e culturais diversos, contribuindo para a construção de escolas mais inclusivas no município de Lisboa. O projeto prevê a criação de um programa de formação dirigido a pessoal docente e não docente, com foco no acolhimento e inclusão de alunos e famílias provenientes de contextos culturais e étnicos diversos, em escolas do município de Lisboa. Para isso, foi necessário construir um diagnóstico cujo objetivo foi conhecer as práticas do pessoal docente e não docente e as necessidades de alunos e famílias que provêm de contextos culturais e étnicos distintos, relativamente ao processo de acolhimento e inclusão em escolas do município de Lisboa. Mais concretamente o diagnóstico pretendeu caracterizar as práticas de acolhimento e inclusão de alunos e famílias que provêm de contextos culturais e étnicos distintos em escolas do município de Lisboa e, conhecer as necessidades desses alunos e famílias no que respeita às práticas de acolhimento e inclusão em escolas do município de Lisboa. Neste relatório, é feito um enquadramento teórico da problemática do projeto, bem como são apresentados os resultados do diagnóstico social realizado, identificando as principais problemáticas, necessidades e expectativas, e, por último, é apresentada a proposta de intervenção. A metodologia adotada apresenta-se como participativa, pois incentiva o envolvimento dos participantes em todas as fases da construção do projeto, promovendo a participação ativa do grupo-alvo, e estimulando a reflexão crítica e a transformação das práticas, numa abordagem interativa.
- Dois refugiados, duas histórias de vida trans(formações) identitáriasPublication . Bento, Ana Sofia Carlos; Margarido, Cristovão Adelino Fonseca Franco RibeiroEste trabalho nasceu da vontade de saber como o incidente crítico (Josso, 2010) chamado guerra, obriga à reinvenção de pessoas que são retiradas à força das suas casas e das suas terras, onde já estavam enraizadas há tantos anos. Através de duas histórias de vida bastante distintas, contadas através de entrevistas, em forma de conversas informais (Burgess, 2001), foi possível chegar ao olhar de dois refugiados acerca de si mesmos, da sua vida antes, durante e depois das guerras pelas quais passaram. Consegui saber de que forma a guerra alterou o percurso de vida dos meus sujeitos de estudo e todos os outros sujeitos que vão aparecendo no decorrer das histórias. As trans(formações) de pensamento, de identidade, de pertença, são apresentadas de forma mais profunda, mas também todas aquelas identidades assassinas (Maalouf, 1999) que os obrigaram a negar a sua própria vontade e as pessoas críticas positivas que apareceram como mediadores para uma nova realidade, uma nova vida e até novas vontades. Falar em refugiados está na ordem do dia, muito por conta da atual guerra da Ucrânia, que eu mesma aproveitei para a minha investigação, mas falar com refugiados é dar voz aos próprios intervenientes ou vítimas diretas das guerras. Importa referir que a diferença entre ser jornalista, a profissão do relato, até por vezes sensacionalista, e um mediador intercultural, que tem a capacidade de intervir no social, tem nas suas mãos o poder de transformar uma entrevista numa simbiose de conhecimento, de pôr o outro a pensar e a nós mesmos exatamente nesta mesma equipa a que chamamos “humanos”. Através deste trabalho foi possível entender, com recurso às vozes dos entrevistados as transformações que a guerra provocou nas suas vidas e de que forma a mediação intercultural foi importante nesse processo.
- As famílias de afeto nas casas de acolhimento de crianças /jovens em perigoPublication . Santos, Sónia Alexandra Gomes Silva; Margarido, Cristovão Adelino Fonseca Franco RibeiroO acolhimento residencial para crianças/jovens em situação de perigo, é uma resposta social prevista na lei para acolher crianças e jovens provenientes de famílias disfuncionais. Estas casas de acolhimento devem, por isso, proporcionar condições de bem-estar que permitam o desenvolvimento integral dos acolhidos. De modo a aproximar estas casas de acolhimento à comunidade, têm surgido em Portugal alguns projetos com famílias de afeto, que assentam no ato voluntário de famílias em acolherem crianças/jovens residencializadas durante os fins de semana e férias letivas. Vários autores defendem que estas famílias representam um recurso de elevada importância, uma vez que permite às crianças/jovens beneficiar de um ambiente familiar estruturado e estável fora do contexto residencial. Assim, por se tratar de uma resposta alternativa e cada vez mais aplicada pelas casas de acolhimento em Portugal, este estudo pretende compreender os modos de intervenção nestas casas com as famílias de afeto. Este é um estudo qualitativo, realizado em 4 casas de acolhimento: 1 Centro de Acolhimento Temporário e 3 Lares de Infância e Juventude. Em cada casa foi selecionado um técnico para a realização de entrevistas e aplicado um questionário sociodemográfico com o objetivo de contextualizar a realidade das casas. Os resultados sugerem que o recrutamento e seleção estão cada vez mais aprimorados pelas casas de acolhimento, apresentando mecanismos de divulgação eficazes e discretos, procedimentos de seleção capazes de traçar um perfil familiar e assegurarem a idoneidade dos candidatos, e formas de preparação/sensibilização cuidadas e esclarecidas. O cruzamento e atribuição são quase sempre realizados no sentido de mediar as características e os interesses de ambas as partes. Apesar de só uma casa ter regulamento interno específico para esta resposta, todas demonstram preocupação em regulamentar estes modos de atuação. A metodologia de acompanhamento e avaliação é bastante diversificada e informal. iv Todas as casas reconhecem a importância destas famílias na definição dos projetos de vida das crianças/jovens acompanhadas. Em toda a intervenção são utilizados vários instrumentos e materiais de apoio pelas equipas técnicas, permitindo melhorar a qualidade deste recurso. As conclusões revelam que os modos de intervenção relativamente às famílias de afeto dividem-se em dois grandes eixos: um atribui grande relevância à ligação afetiva e à criação de vínculos entre as crianças/jovens e as famílias de afeto, preparando-as para uma relação de continuidade. O outro eixo intervém no sentido inverso, evitando que as partes envolvidas desenvolvam uma relação próxima, não pretendendo a criação de laços afetivos, pois o projeto de vida destas crianças/jovens não passa por ficarem integradas nestas famílias.
- Mediação Intercultural em Contexto EscolarPublication . Lopes, Márcia Maria Tojo; Margarido, Cristovão Adelino Fonseca Franco RibeiroA sociedade e a escola contemporânea são cada vez mais complexas e multiculturais (Vieira e Vieira, 2017), logo, impõe-se hoje à escola novos desafios para responder à crescente diversidade e multiplicidade de divergências. Para tal, são imprescindíveis lideranças capazes que saibam dirigir as instituições educativas com sabedoria e que estejam capacitadas para construir estratégias para que professores e alunos convivam de forma natural com as diferenças sociais, culturais e pessoais. Apresenta-se, no âmbito desta investigação, um estudo que procura perceber a influência do tipo de liderança e quais a(s) prática(s) de mediação intercultural, desenvolvidas na Escola Básica 2,3 ciclos de Gualtar. Como ocorrem, a forma como são percebidas e o seu impacto no desempenho dos alunos e da organização escolar foram alguns dos aspetos que procurámos entender. Considerando a liderança e a mediação como conceitos chave deste trabalho, torna-se fundamental a análise do contexto e da comunicação organizacional, no que concerne à estrutura, às relações de trabalho existentes, ao clima, à cultura organizacional desenvolvida, ao tipo de liderança exercida e às práticas de mediação existentes. Em termos metodológicos, assumiu-se como fundamental o paradigma interpretativo, compreensivo/fenomenológico, cujo objetivo é a compreensão da realidade em estudo, tal como ela é vivida pelos sujeitos. A recolha de dados foi realizada através da observação direta e das entrevistas individuais semiestruturadas à Direção da Escola, aos professores e psicóloga que assumem o papel de mediadores. Esta investigação permite concluir, que ainda há um longo caminho a percorrer no que concerne à implementação de práticas de mediação em contexto escolar, e que a existência da inclusão da figura do mediador intercultural é notória, constituindo-se uma mais valia não apenas nos alunos, mas também nas famílias, escola e comunidade, na medida em que adota práticas diferenciadas, transformadoras e empoderadoras da diversidade que habita atualmente na escola. Reconheceu-se, que a diversidade na escola aumentou, testemunhando que a interculturalidade é uma porta aberta para a criação de laços e pontes entre os alunos, comungando da cultura do “outro”, numa oportunidade de conhecimento e de novas aprendizagens sociais e culturais. Percebeu-se ainda, que os professores, a Direção e psicóloga são mediadores interculturais que trabalham em rede, adotando estratégias diferenciadas e recorrendo às diferentes formas de comunicação para diminuir a tensão, o conflito e a indisciplina.
- Políticas sociais e sem-abrigo - uma relação (in)mediável ?Publication . Gonçalves, Helena Filipa Mendes; Margarido, Cristovão Adelino Fonseca Franco RibeiroEm Portugal, comparativamente a outros países da Europa, a problemática dos sem-abrigo foi tardiamente abordada, quer do ponto de vista teórico, quer do ponto de vista das políticas e respostas sociais. Com efeito, o estado da arte em Portugal sobre esta população permanece escasso. Contudo existem estudos sobre a identificação das características desta população e dados estatísticos. Também não existem em Portugal políticas sociais destinadas especificamente à condição de sem-abrigo. Porém, estes podem auferir de outros apoios que se destinam a uma grande variedade de situações e grupos alvo de intervenção. Com efeito, o que tem sido realizado em termos de políticas e respostas sociais para esta população não colmata as suas necessidades e não garante o seu processo de inclusão na sociedade. Face a esta realidade justifica-se a realização de um estudo aprofundado baseado nas próprias opiniões dos sem-abrigo acerca dos apoios sociais destinados para a sua condição. O principal objetivo deste estudo foi compreender se os sem-abrigo conhecem as políticas sociais e de que forma usufruem ou usufruíram das mesmas. O presente estudo é qualitativo e contou com a participação de 4 individuos do sexo masculino que estão ou estiveram em situação de sem-abrigo. Os resultados indicam que os sujeitos em estudo têm conhecimento das políticas sociais disponíveis para a condição de sem-abrigo e que, inclusive já usufruíram do RSI e do Sistema Nacional de Saúde. No entanto, os mesmos assumem que se não fosse pelo facto de terem tido ajuda de técnicos de intervenção social e de familiares para os esclarecerem e ajudarem em todo o processo de iv pedido do apoio, não teriam conseguido auferir do mesmo. Estes técnicos e familiares, acabam por assumir o papel de mediadores interculturais na medida em que estabelecem uma ligação entre os sem-abrigo e as políticas sociais que lhes estão destinadas. Todos os sujeitos concordam com as respostas sociais disponíveis para a condição de sem-abrigo e inclusivamente demonstram gratidão para com a comunidade terapêutica onde residem.
- A vida na dança e a dança da vidaPublication . Pereira, Liliana Isabel Carvalho; Margarido, Cristovão Adelino Fonseca Franco RibeiroExiste hoje uma maior consciência sobre a importância da dança na vida do ser humano. De facto, tem-se vindo a percecionar esta arte de uma outra forma, indo para além do contexto cultural e artístico. O seu potencial interventivo, terapêutico e transformador começa a dar azo a novas perspetivas e estudos. É neste sentido que, neste trabalho, se analisa com profundidade, a relevância que a dança teve na vida de um sujeito, nas diversas dimensões da sua existência. Assim, a partir de uma História de Vida, procurei perceber a dança como veículo de mediação, de conhecimento do “eu” e do outro, e enquanto agente (trans)formador. Como defende Vieira (2009, p. 16), “as histórias de vida não são mero passado. São processos históricos na verdadeira aceção da palavra” pelo que a sua compreensão leva a um maior entendimento da pessoa como um todo. Quis perspetivar a importância e influência desta arte no processo de construção identitária de um sujeito. Assim como, compreender de que forma a dança serviu como veículo de Mediação Intercultural e de instrumento para a Mediação Intrapessoal. A investigação foi feita através de uma metodologia biográfica, com recurso a entrevistas etnobiográficas, aprofundadas, caracterizadas por Burgess (2001) como conversas. Este estudo enquadra-se numa perspetiva hermenêutica, que para Schleiermacher (2005, p. 87), é a "arte de compreender o discurso do outro”. Esta investigação permitiu compreender que as expressões artísticas e mais concretamente a dança podem ser veículos (trans)formadores, facilitadores do desenvolvimento e intermediários para a descoberta do “eu” e do outro.
- Violência Doméstica na População Imigrante em PortugalPublication . Codinha, Soraia Bombas; Margarido, Cristovão Adelino Fonseca Franco RibeiroEsta investigação começou num conjunto de inquietações, que mais tarde se viriam a tornar numa esfera de experiência e aprendizagem sobre um tema em que eu, enquanto cidadã, e, principalmente, técnica social, já me questionava há muito tempo. A mesma revela-se, numa procura constante, em perceber qual a história de vida e as perspetivas de futuro de pessoas que experimentam esta chaga social que é a violência doméstica. A violência doméstica é um problema transversal a toda a sociedade, uma doença social. Na tentativa de prevenção, proteção e extinção desta realidade, surgem os gabinetes de apoio à vítima e os técnicos que diariamente apoiam as vítimas de violência doméstica. Como investigadora, o meu trabalho teve como ponto obrigatório escutar estes técnicos e, sobretudo, escutar as vítimas. De outra forma como é que poderia perceber a dinâmica, no seu todo, dos serviços de apoio? Como é que poderia perceber a relação que os técnicos conseguem estabelecer com as vítimas, num período tão frágil ? Como é que poderia perceber se estas vítimas se sentem motivadas para mudar a sua vida e o que as motiva? Só escutando quem realmente vive envolvido(a) nesta condição, e eu, escutei… De modo a conseguir atingir os objetivos a que me propus, esta investigação emerge como um estudo qualitativo, realizado em colaboração com a Associação Mulher Séc. XI. Nesta associação, foi possível entrevistar duas psicólogas e três vítimas de violência doméstica (todas com nacionalidades diferentes). Os resultados vêm mostrar que os gabinetes de apoio à vítima são essenciais para qualquer pessoa que se cruze com a violência durante a sua vida, mas para as vítimas imigrantes, os técnicos sociais e os gabinetes onde os mesmos exercem funções são imprescindíveis porque, para além de ajudar as vítimas a verem um futuro longe do presente em que se encontram, acolhem, ouvem e, ainda, inserem socialmente estas mulheres que, para além de tudo o que viveram em consequência de uma relação de violência, são ainda discriminadas pela sociedade, devido à sua nacionalidade. Como principal conclusão, entendi que é fundamental a intervenção social, não só com as vítimas, mas também com a sociedade em geral, de forma a preparar-nos para ter um olhar mais atento e essencialmente, proativo na ajuda para com os outros.
