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Gestão de Recursos na Ilha da Berlenga: Uma Análise Comparativa entre Grupos de Atividades
Publication . Serra, Sofia Rainho; Mendes, , Susana Luísa da Custódia Machado; Marques,, José Miguel Dantas Maio
O Arquipélago das Berlengas, integrado na Reserva Natural das Berlengas e na Rede Natura 2000, enfrenta o desafio constante de conciliar a conservação ecológica com a intensa atividade turística e as limitações inerentes aos territórios insulares. Esta investigação analisou a gestão de recursos na Berlenga, nomeadamente água, energia e resíduos, bem como a perceção dos utilizadores sobre sustentabilidade e circularidade, recorrendo a uma metodologia mista composta por questionários, observação direta e análise documental.
Os questionários aplicados a visitantes e trabalhadores (n = 464) permitiram identificar padrões relevantes entre variáveis sociodemográficas e a perceção da sustentabilidade da ilha. Os resultados revelam níveis reduzidos de familiaridade com o conceito de economia azul, bem como diferenças estatisticamente significativas associadas ao local de residência, relação com a ilha e frequência de visitação, influenciando a avaliação da gestão de resíduos, da atuação institucional e da adequação das infraestruturas. De modo geral, os inquiridos percecionam a ilha como ecologicamente sensível, apontando fragilidades sobretudo na comunicação e educação ambiental, no controlo da pressão turística e na gestão de resíduos.
A observação direta permitiu caracterizar contrastes marcantes entre os três núcleos operacionais — Bairro dos Pescadores (Bairro Almirante Andrade e Silva), Restaurante “Mesa da Ilha” e Fortaleza de São João Baptista — evidenciando diferenças estruturais e organizacionais que influenciam a circularidade local. A comparação com outras áreas protegidas insulares reforçou a necessidade de estratégias mais robustas de limitação de visitantes, fiscalização e comunicação ambiental.
Os resultados demonstraram que, apesar dos progressos alcançados na autossuficiência hídrica e energética e do trabalho contínuo de conservação, a Berlenga continua exposta a pressão turística, constrangimentos logísticos e fragilidades na coordenação entre entidades. O estudo concluiu com recomendações orientadas para uma governação mais integrada, inclusiva e informada, reforçando práticas de circularidade, comunicação ambiental e cogestão participativa.
Por fim, importa referir que esta dissertação contribui de forma relevante para a promoção dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) estabelecidos pela Agenda 2030 das Nações Unidas, nomeadamente o ODS 14 – Proteger a vida marinha, o ODS 11 – Cidades e Comunidades Sustentáveis, o ODS 12 – Produção e Consumo Sustentáveis, o ODS 13 – Ação Climática, o ODS 16 – Paz, Justiça e Instituições Eficazes e o ODS 17 -Parcerias para o Desenvolvimento.
TDIC e novos letramentos na era digital novos olhares para formação de professores de línguas
Publication . Araújo, Francisco; Nascimento. Juscelino; Sousa, Célia Maria
A cultura digital demanda novas competências no ensino de línguas, justificando a análise das relações entre tecnologias, novos letramentos e formação docente. Este artigo busca responder como essa articulação subsidia a prática pedagógica contemporânea. O objetivo é analisar tais relações a partir de uma pesquisa bibliográfica, baseada em autores como Rojo e Moura (2019), Xavier (2007), Araújo (2023), Lankshear e Knobel (2007), dentre outros. Os resultados indicam que a tecnologia não inova por si só, exigindo pedagogias ativas e críticas. Conclui-se que a transformação educacional depende da formação de professores capazes de mediar os desafios da contemporaneidade.
Versus Versos
Publication . Costa, Feliciano André Amador; Baraona, Maria Isabel Gallis Pereira; Anacleto, Ana Isabel Pinheiro Pedro
Nesta investigação teórico-prática reflito sobre a linearidade do tempo e a finitude. Acreditando que tudo é efémero, escrevo na tentativa de expor e questionar a relação de
escravidão com o Tempo, a partir de um conjunto de obras realizadas nos últimos dois anos – Heterocronia (2024); Gotas de Tempo (2025); e a série Jornais D’Água (2025-2026).
É através de um estado de Heterocronia (2024) que emerge uma “caixa de areia”, onde a criança ingénua e inocente manuseia e constrói o seu mundo imaginário, onde
procuro simular a sensação e intenção para uma consciência adulta, que enfrenta a sua finitude e deseja moldar o tempo para melhor proveito.
No entanto, perdido no tempo, no escuro e sozinho, apercebo-me de um desconforto em comunicar com outros, originário de um desconforto inicial em comunicar comigo próprio. O confronto inerente a esta afasia1 provinha de uma perspetiva pessoal de um não entendimento próprio. Estes sentimentos confrontaram-me com a comunicação intra e interpessoal, que procuro resolver através da exposição dos meus pensamentos e emoções sobre colagens ou livros de artista, tal como o livro Meio Buraco (2025), que resulta de uma tentativa de criar um ponto de passagem entre um “eu” interno e privado e o mundo que me rodeia.
Deambulo pelo labirinto de caminhos de desejo da floresta, guiado pelo aparecimento de Gotas de Tempo (2025) e numa corrida em busca de um tempo familiar, “tropeço” no Meio Buraco (2025), inundado de pensamentos e emoções, que me transporta de novo para o início deste loop interminável dos ponteiros do relógio que rodam e rodam
sem cessar.
Antes que me reduza a pó, renasço da água pura que me transforma num ser leve, presente no céu e na terra, consciente e parte de um todo.
Às escondidas é que se descobre o mundo, uma reflexão sobre a erotização e a santificação do corpo feminino nas Artes Plásticas
Publication . Barbosa, Leonor Guerreiro Queiroz; Baraona, Maria Isabel Gallis Pereira; Faria, Nuno Filipe Moreira Ribeiro de
O projeto Às escondidas é que se descobre o mundo desenvolve uma investigação artística e teórica centrada na representação da mulher nas Artes Plásticas, articulando um diálogo com a História da Arte e a tradição popular da religião cristã, entendidas não na sua dimensão teológica e institucional, mas enquanto campo de apropriação simbólica e de construção de sentidos. A pesquisa incide na reconstrução do imaginário visual ocidental, considerando também as suas reverberações noutras geografias simbólicas. A figura feminina é abordada enquanto espaço de tensão entre delicadeza e brutalidade, evidenciando o contraste inerente ao universo feminino. Situada num território instável entre o sagrado e o profano, bem como entre objeto de desejo e de desprezo, esta condição paradoxal constitui o eixo de exploração do projeto. Propõe-se uma reflexão crítica sobre os mecanismos de representação e significação do corpo feminino ao longo da história. O projeto atua na ressignificação do desejo enquanto dispositivo de poder, reivindicando simultaneamente uma autoridade autoral feminina sobre a própria imagem. Através da reapropriação de representações historicamente produzidas sob um olhar masculino, as imagens são deslocadas para um campo de autonomia e pensamento crítico, reconfigurando o lugar de enunciação feminina e promovendo novas leituras.
Ensino de língua portuguesa na era digital: perspectivas de novos letramentos e mediações tecnológicas na contemporaneidade
Publication . Araújo, Francisco; Nascimento. Juscelino; Sousa, Célia Maria
O avanço das Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação
(TDIC) na educação tem suscitado reflexões sobre os modos como essas
ferramentas impactam as práticas de ensino de Língua Portuguesa (LP). Este
estudo tem como objetivo discutir como as práticas de novos letramentos podem
ser integradas ao uso do Google Classroom (GC), questionando se tais
tecnologias representam uma mudança significativa no ensino ou apenas uma
reconfiguração de práticas tradicionais. O referencial teórico apoia-se em Araújo
(2023), Lankshear e Knobel (2003; 2006; 2007); Branco e Lacerda (2024), dentre
outros. A metodologia adota abordagem qualitativa, de cunho descritivo e
bibliográfico. O corpus é composto por produções acadêmicas sobre novos
letramentos e o uso pedagógico do GC no ensino de LP. Os resultados indicam
que o GC, articulado a práticas de novos letramentos, favorece o protagonismo
discente, a autoria e o uso de múltiplas linguagens. Conclui-se que, quando
utilizado de forma crítica e a partir de uma nova mentalidade, o GC pode promover
uma aprendizagem mais significativa, ativa e colaborativa, alinhada às exigências
da sociedade digital.
