ESECS - Mestrado em Ciências da Educação - Gestão Escolar
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Percorrer ESECS - Mestrado em Ciências da Educação - Gestão Escolar por Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) "04:Educação de Qualidade"
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- A Gestão Escolar nas Terras de Sicó: Desafios e Estratégias da Direção em Contexto de Baixa Densidade PopulacionalPublication . Dinis, Catarina Sofia Araújo Viseu; Barreto, Maria Antónia Belchior FerreiraA evolução da gestão escolar em Portugal tem sido marcada por reformas legislativas que redefiniram o papel das lideranças educativas e a organização das escolas. Este estudo incide sobre os Agrupamentos de Escolas das Terras de Sicó, analisando de que forma essas transformaçõesinfluenciaram o perfil dos diretores e as dinâmicas institucionais num contexto territorial específico. Com base num enquadramento teórico centrado nas teorias da liderança e nas abordagens organizacionais, analisa-se a transição para a liderança unipessoal, consagrada pelo Decreto-Lei n.º 75/2008, bem como os efeitos da descentralização e da municipalização. A investigação segue uma abordagem qualitativa, sustentada em entrevistas semiestruturadas a diretores, permitindo compreender as suas perceções face às mudanças legislativas e às exigências da função. Os resultados evidenciam que a liderança escolar nas Terras de Sicó é condicionada por fatores como a baixa densidade populacional, o envelhecimento demográfico e a escassez de recursos, exigindo competências de adaptação, gestão estratégica e articulação comunitária. Conclui-se que o perfil do diretor evoluiu para uma liderança mais profissionalizada, estratégica e relacional, sendo essencial considerar as especificidades territoriais na definição de políticas educativas ajustadas aos contextos locais.
- A perceção das lideranças pelos Professores e educadoresPublication . Marques, Margarida Maria Miguel; Sousa, Marlene Filipa da Natividade eNos últimos anos, a atenção dedicada à qualidade do ensino e à eficácia das escolas no cumprimento da sua missão educativa tem vindo a ocupar um lugar central nos debates sobre educação. Nesse contexto, torna-se essencial refletir sobre diversos fatores que podem influenciar o funcionamento, o desempenho das instituições escolares e o ambiente escolar vivenciado, com foco especial na opinião e perceção do pessoal docente, parte essencial que contribui para o desenvolvimento e identificação de estratégias promotoras da qualidade e sucesso educativo. Alinhando-se com essa preocupação, o presente estudo incidiu sobre três dimensões da vida organizacional das escolas - clima organizacional, a liderança de topo e as lideranças intermédias-, considerando-se que estas podem exercer um impacto significativo na dinâmica escolar e na qualidade do trabalho desenvolvido. Foi objetivo do presente estudo, a análise da perceção sobre o modelo de gestão em vigor e clima o organizacional, relativamente aos efeitos produzidos pela implementação do Decreto-Lei n.º 75/2008, que instituiu um modelo de gestão unipessoal e promoveu a criação de agrupamentos escolares. Pretendeu-se perceber algumas repercussões desta mudança na organização interna, no clima escolar e na satisfação dos docentes, que trouxe impactos significativos, com benefícios estruturais, mas também críticas à perda de colegialidade e ao distanciamento entre colegas. Cumulativamente, foram considerados objetivos de estudo a análise e avaliação dos estilos, traços e características da liderança, tanto do(a) Diretor(a), bem como das lideranças intermédias, os Coordenadores de Departamento e de Grupo Disciplinar, tendo-se também avaliado o ambiente escolar no âmbito desses dois contextos. O estudo baseou-se num questionário online aplicado a professores da escola pública. Foi utilizada uma abordagem quantitativa, com escalas de Likert para avaliar o grau de concordância e importância atribuída às diferentes proposições. Os dados foram tratados estatisticamente, acompanhados de análise descritiva e representações gráficas. A interpretação dos mesmos indica uma forte relação entre liderança educativa, satisfação docente e clima escolar. Apesar da avaliação global ser satisfatória, conclui-se que há margem para melhorias, especialmente no reforço da escuta ativa, valorização do feedback e promoção de uma cultura mais colaborativa, edificando assim, um ambiente positivo, assente no respeito e valorização, que contribui para a motivação dos professores e, consequentemente, para o sucesso da missão educativa.
- A PERCEÇÃO DOS ASSISTENTES OPERACIONAIS DO 1.º CEB SOBRE O SEU PAPEL NA COMUNIDADE EDUCATIVAPublication . Pereira, Adriana Margarida de Jesus; Sousa, Marlene Filipa da Natividade e; Sousa, Susana Manuela Franco de Faria deCom os papéis desempenhados atualmente pelos Assistentes Operacionais (AO), e tendo por base esta realidade, identificou-se a seguinte problemática “Qual a perceção dos AO do primeiro Ciclo do Ensino Básico (1ºCEB) sobre o seu papel na comunidade educativa?”. O objetivo foi compreender melhor a perceção que os referidos profissionais têm do papel que desempenham dentro da comunidade educativa, e como seria reconhecido por essa comunidade o potencial da sua atividade profissional e o seu contributo, em todas as etapas do processo de ensino e de aprendizagem dos alunos. Para o desenvolvimento deste projeto aplicou-se um inquérito por questionário, onde se procurou conhecer a perceção dos AO em relação ao seu desempenho, competências e valorização, o qual foi respondido por alguns dos diferentes atores que integram a comunidade educativa em análise. Através da análise dos resultados obtidos, em termos quantitativos, as principais conclusões retiradas são as de que os AO revelam não estar totalmente satisfeitos com o conjunto de tarefas que executam na escola. Estes profissionais ambicionam ter um papel mais ativo e colaborante de auxílio aos professores. Por outro lado, os AO avaliam o desempenho das suas funções de forma muito positiva e percecionam que esse desempenho é reconhecido e valorizado, essencialmente, pelos alunos, professores, chefias intermédias e pela direção. Os AO revêem-se assim como “um capital humano de importância fundamental no bom funcionamento do sistema educativo” (Portaria n.º 29 de 2015). Traçado este panorama, quisemos ir mais fundo, tendo realizado algumas entrevistas a alguns AO, à Direção do Agrupamento e à Coordenadora de Estabelecimento, a fim de identificar eventuais contrastes de perspetivas, geradoras de novas pistas de investigação. Nas entrevistas verificamos a existência de uma unanimidade na atribuição da importância, do papel desempenhado pelos AO, enquanto elementos fundamentais na dinâmica e funcionamento da escola. O maior contraste ficou sublinhado na relação entre pares, AO com AO, que no inquérito foi identificado como um relacionamento menos positivo e, em entrevista, verificou-se que esta perceção era contraditória. A causa apontada para esta dualidade na perceção seria o stress causado pela sobrecarga de trabalho a que estes estão sujeitos devido à por falta de recursos humanos. Com a escassez de estudos sobre estes atores educativos, comparativamente aos restantes elementos da comunidade escolar, consideramos que seria interessante estudar esta problemática dos AO nos diferentes ciclos de estudo e a nível nacional, a fim de caracterizar e recolher informação de forma mais alargada e concreta nas diferentes escolas, que nos permitisse fazer inferências para melhor caraterizar e compreender esta classe profissional.
- Autoavaliação nas escolas - Implementação e impacto nas práticas pedagógicas e organizacionaisPublication . Pereira, Fernando Brites; Menino, Hugo Alexandre LopesInserido no espaço europeu, o sistema educativo português tem sido moldado pelas políticas neoliberais de accountability promovidas pela União Europeia (UE), refletindo-se, nas últimas décadas, no discurso político, nos normativos legais e nas iniciativas da tutela nacionais orientadas para a eficiência e qualidade educativa. Paralelamente surgem movimentos de descentralização do sistema educativo e autonomia das escolas, quase sempre reflexo da falência do estado providência, acompanhados de correspondente responsabilização do prestador de serviços mais próximo do cliente que justificam que tudo seja avaliável mesmo que, por vezes, apenas mensurável. A avaliação institucional das escolas é apontada por muitos como o instrumento de controlo remoto na mão dos serviços centrais e de contestável capacidade de efetiva melhoria da qualidade educativa. Desenvolvida por duas modalidades, a externa e a interna, criadas por decreto, de criticável equilíbrio entre hétero e autorregulação, transpõe, por esta última, para a organização escola desafios que podem conflituar com a sua natureza e ethos próprios, mas também pode constituir instrumento alavancador único de aprendizagem e de desenvolvimento organizacional. A presente dissertação tem como propósito compreender como a autoavaliação (AA) é operacionalizada em contexto escolar e que impacto é percecionado pelos principais atores educativos relativamente ao seu contributo para o desenvolvimento organizacional e pedagógico. A investigação incide sobre dois agrupamentos de escolas da região de Leiria e analisa as opções adotadas no processo de AA, o nível de envolvimento dos diferentes atores e a utilidade dos resultados produzidos. Através de uma abordagem qualitativa, de natureza descritiva e interpretativa e, com base na metodologia de estudo de caso múltiplo, foram realizadas entrevistas semiestruturadas a diretores e coordenadores das equipas de AA e focus groups com coordenadores de departamento. Os resultados revelam que, apesar de ambos os agrupamentos adotarem o modelo CAF Educação, existem algumas diferenças ao nível da apropriação do modelo e da cultura organizacional subjacente, evidenciando que a maturação dos processos de AA, requer tempo, skills e estabilidade da equipa responsável, legitimação interna e envolvimento coletivo comprometido em que as lideranças desempenham um papel determinante. Identificam-se progressos importantes na mobilização da AA como ferramenta de gestão estratégica e suporte à tomada de decisão, ainda que persistam fragilidades na monitorização dos efeitos pedagógicos. Conclui-se que a AA, quando concebida de forma integrada, pode ultrapassar uma lógica meramente tecnocrática de prestação de contas e afirmar-se como instrumento potenciador de autorregulação e qualidade. Palavras
- Coadjuvação na disciplina de educação física no 1.º ciclo do ensino básico: práticas e perceçõesPublication . Rosa, Luís Filipe Rodrigues; Coelho, Luís Pedro Inácio; Cardoso, Nelson Cândido Pedrosa MarquesA escola contemporânea enfrenta desafios crescentes e diversificados, cada vez mais complexos, exigindo modelos de gestão flexíveis, inclusivos e colaborativos. No contexto do 1.º Ciclo do Ensino Básico (CEB), a Educação Física (EF) desempenha um papel estruturante no desenvolvimento integral das crianças, abrangendo as dimensões cognitivas, motoras, sociais e emocionais. Segundo Neto (2020), o ato de brincar é uma ferramenta fundamental nesse processo formativo e a Educação Física emerge, por isso, como espaço privilegiado para a construção de uma escola mais humana, inclusiva e ativa. A presente investigação centra-se na análise da prática de coadjuvação nas aulas de EF no 1.º CEB, entendida como uma abordagem pedagógica colaborativa entre o professor titular de turma (PTT) e o professor especialista de Educação Física PEEF). Este modelo visa promover práticas pedagógicas diferenciadas, alinhadas com os princípios da gestão curricular e com os desígnios da inclusão educativa, conforme estabelecido no Decreto-Lei n.º 54/2018. O estudo adota uma abordagem qualitativa interpretativa, baseada num estudo de caso desenvolvido num Centro Escolar, integrado num Agrupamento de Escolas. A recolha de dados foi efetuada mediante inquérito por questionário aplicado a professores com diferentes níveis de experiência em coadjuvação, complementado por análise documental de orientações institucionais e projetos pedagógicos locais. Os resultados evidenciam uma perceção globalmente positiva relativamente à prática da coadjuvação no 1.º CEB. Os docentes titulares de turma e especialistas destacam a melhoria da articulação curricular e do trabalho colaborativo, enquanto os diretores sublinham a importância desta prática para a gestão eficaz dos recursos humanos e a inovação pedagógica. Encarregados de educação e alunos valorizam as aulas de Educação Física, manifestando maior motivação e participação ativa nas mesmas. Estes dados reforçam a pertinência da coadjuvação como uma estratégia promotora da qualidade e da equidade no ensino básico.
- EQUIPAS EDUCATIVAS Um estudo de casoPublication . Santos, Ricardo Fernando Constâncio; Barata, Clarinda Luísa Ferreira; Rebelo, Isabel Sofia Godinho da SilvaO trabalho que aqui se apresenta insere-se no âmbito do Mestrado em Ciências da Educação - Gestão Escolar, tendo como tema as “Equipas Educativas” e por objeto de estudo a perceção que os docentes de um dado Agrupamento têm quanto à influência que estas estruturas organizativas têm no sucesso educativo dos seus alunos. A pertinência deste tema resulta da implementação do Decreto-Lei n.º 55/2018 de 6 de julho, no qual se promovem estratégias de Autonomia e Flexibilidade Curricular que permitam aos alunos não só adquirir os conhecimentos relativos às Aprendizagens Essenciais de cada disciplina, mas também as competências previstas no Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória. Este diploma prevê a implementação de dinâmicas de trabalho pedagógico preferencialmente por Equipas Educativas, o que foi imediatamente posto em prática no Agrupamento em estudo. No presente estudo desenvolveu-se uma investigação, por Estudo de Caso, focada no corpo docente do Agrupamento em estudo, onde se procura dar resposta à seguinte questão: Que perceção têm os professores quanto às implicações que o modelo das Equipas Educativas implementado no Agrupamento de Escolas X têm relativamente ao sucesso dos alunos? Desta forma pretende-se cumprir os seguintes objetivos: Analisar as perceções dos professores quanto à eficácia das Equipas Educativas na promoção do sucesso dos alunos e também identificar aspetos facilitadores e oportunidades de melhoria do modelo de Equipas Educativas implementado neste Agrupamento. Este é um estudo qualitativo baseado em análise documental de documentos do próprio Agrupamento, como o Regulamento Interno e o Projeto Educativo, e de onde se retiraram informações relativas à organização e estruturação do modelo de Equipas Educativas aqui implementado, assim como em entrevistas a docentes selecionados de acordo com as funções que exercem e a representatividade que têm face ao restante corpo docente, nas quais se procurou encontrar suporte para as respostas obtidas através de um questionário aplicado a todos os docentes do Agrupamento. O estudo indicia que o modelo de Equipas Educativas implementado neste Agrupamento de Escolas é bem aceite pelos docentes como potenciador do trabalho colaborativo e de articulação interdisciplinar, mas não é por si só uma ferramenta com influência direta nos resultados escolares dos alunos.
- [Lideranças Intermédias e Educação Inclusiva – Um estudo de caso]Publication . Ribeiro, Sara Alexandra Vicente; Rebelo, Isabel Sofia Godinho da Silva; Sousa, Marlene Filipa da Natividade eO sistema educativo está em constante mudança, impulsionado por transformações políticas, demográficas e económicas. Nesse contexto, as escolas têm recebido cada vez mais autonomia, permitindo-lhes oferecer a melhor educação possível para Todos. Para que essa autonomia se traduza em sucesso, o papel dos líderes intermédios torna-se essencial, garantindo o bom funcionamento da organização. São eles os responsáveis por motivar, envolver e mobilizar os liderados dentro de uma filosofia inclusiva, capaz de promover o sucesso educativo de cada aluno. O presente relatório parte de uma questão inicial “Como estava a ser interiorizada e operacionalizada, por diferentes níveis de liderança na escola, a perspetiva subjacente de Educação Inclusiva?”. Na tentativa de responder a esta questão definiram-se como objetivos da investigação: i) identificar práticas inclusivas desenvolvidas na promoção da EI no AE, ii) analisar a perceção que os líderes intermédios têm do seu papel na implementação de práticas inclusivas promotoras de EI e iii) refletir sobre o contributo das práticas de EI desenvolvidas no AE. A análise dos dados recolhidos, através de entrevistas, evidenciou que a resposta a uma política educativa inclusiva, que pretende a construção de uma escola para Todos, deve preconizar práticas pedagógicas que valorizem um trabalho mais colaborativo, diversificar os recursos metodológicos, flexibilizar os currículos e investir na formação docente para valorizar a autonomia do aluno na construção do seu processo educativo.
- O PERFIL DO PROFESSOR DO 1.º CICLO DO ENSINO BÁSICO NA GUINÉ-BISSAU: Contributos de um ProjetoPublication . Silva, Maria de Fátima Gama da; Barreto, Maria Antónia Belchior FerreiraO 1.º ciclo do ensino básico é o alicerce do percurso escolar de todos os alunos, qualquer que seja o país. Nesse nível de ensino, que normalmente funciona em monodocência, o professor assume um papel determinante nas aprendizagens das crianças. O perfil do professor é estabelecido por legislação específica, mas o perfil real nem sempre corresponde ao perfil decretado. Quando o sistema educativo tem de fazer face a uma enorme falta de professores, o perfil real destes, tende a afastar-se ainda mais do perfil decretado. A Guiné-Bissau é um país em construção, com cinco décadas de independência, em que o sistema educativo tenta dar resposta à crescente procura, embora com grandes insuficiências. O governo e os parceiros internacionais têm investido na formação dos professores: há uma maior oferta de cursos de formação inicial de professores e há diversos programas de formação em serviço a decorrer. A ONG Effective Intervention desenvolveu um projeto no Sul do país em que proporcionou a escolaridade básica do 1.º ciclo a várias centenas de crianças em dezenas de aldeias. Para tal, recrutou e formou professores e supervisores; preparou materiais didáticos para professores e alunos; trabalhou em articulação com as comunidades locais e com as autoridades da Educação. No final, as crianças obtiveram excelentes resultados. Quisemos ir conhecer de perto este projeto e optámos por orientar a nossa investigação de mestrado no sentido de aprofundar as razões do sucesso alcançado. Apercebemo-nos, desde logo, que havia grandes diferenças na atuação dos professores do projeto comparativamente aos professores das outras escolas em geral. Assim, dirigimos a nossa pesquisa para o perfil dos professores que trabalharam no projeto. Tendo definido o objetivo geral – Analisar as características do perfil do professor adquiridas ou desenvolvidas no decurso do projeto ROPE1 – delineámos uma investigação qualitativa descritiva. O trabalho de campo foi realizado na Guiné-Bissau, após o término do projeto em estudo, como uma análise retrospetiva. A recolha de dados foi efetuada por meio de entrevistas em profundidade e para o seu tratamento utilizou-se a técnica de análise de conteúdo. O percurso de investigação feito levou-nos a concluir que, associado a outros fatores, o investimento na formação dos professores foi determinante para os excelentes resultados dos alunos. A formação dos professores é, pois, essencial para o bom desempenho da sua profissão e para a aprendizagem das crianças.
- O Projeto Mochila Leve e as práticas letivasPublication . Rosa, Vanda Cristina Antunes dos Santos Fernandes; Barata, Clarinda Luísa FerreiraO Projeto Mochila Leve, desenvolvido pela Câmara Municipal de Oeiras e aplicado em vários agrupamentos de escolas do município, foi pensado para ir ao encontro da legislação que rege o sistema de ensino português e que aponta para o sucesso de todos os alunos, sendo necessário que os mesmos se tornem o foco do processo de ensino e aprendizagem. Para que tal possa ser posto em prática, é necessário haver uma mudança na forma como os docentes encaram esse mesmo processo. Para o efeito desenvolveu-se um estudo de caso que incidiu num agrupamento de escolas do concelho, estudo esse que se insere no paradigma interpretativo de natureza mista, com o objetivo de compreender o impacto do Projeto Mochila Leve nas práticas pedagógicas dos docentes nele envolvidos. A inovação pedagógica passa por vários aspetos, como a mudança das práticas letivas, com recurso às metodologias ativas como estratégia para que o docente deixe de ser o centro do ensino e passe a ser um facilitador num processo em que o aluno passa a ser o agente da sua própria aprendizagem. A utilização de tecnologias, não sendo o cerne da inovação, é um elemento que não pode ser descurado, pois ajuda à concretização das metodologias ativas de aprendizagem. O trabalho colaborativo docente vai facilitar a implementação destas novas práticas, mas as lideranças escolares, quer as de topo, quer as intermédias, assumem um papel relevante no processo, uma vez que terão o papel de motivar a comunidade escolar para estas alterações, assim como de proporcionar na gestão curricular as medidas necessárias à sua execução. Assim, o Projeto Mochila Leve pretende impulsionar a mudança das práticas letivas, proporcionando formação docente, materiais pedagógicos e partilha de experiências. O presente trabalho pretende compreender se a mudança aconteceu, efetivamente, num agrupamento de escolas do concelho de Oeiras que tem docentes integrados no referido Projeto. Na realidade, as transformações que têm vindo a ocorrer advêm das condições proporcionadas pela edilidade, mas não só. O desejo sentido por alguns docentes que integraram o Projeto revelou ser igualmente, se não mais, importante. Contudo, a adesão a este Projeto não foi semelhante em todos os níveis de ensino e a sua implementação no ensino profissional tem vindo a apresentar uma maior resistência por parte dos seus docentes.
- Perceções dos agentes locais sobre a transferência de competências educativasPublication . Ferreira, Ana Rita de Brito; Barreto, Maria Antónia Belchior Ferreira; Barata, Clarinda Luísa FerreiraEste relatório de projeto analisa as perceções dos agentes locais de educação relativamente ao processo de transferência de competências educativas para um município do interior da região Centro, enquadrando-o no atual contexto de descentralização administrativa em Portugal, e a partir de um enquadramento teórico que aborda a centralização e a descentralização na educação, a evolução histórico-legislativa do sistema educativo, a territorialização das políticas educativas e os limites da municipalização. Caracteriza-se o concelho e a sua rede educativa, evidenciando as especificidades de um território de interior com oferta que se estende do pré-escolar ao ensino superior. Metodologicamente, recorre-se a um estudo qualitativo, baseado em entrevistas semiestruturadas a responsáveis políticos, a dirigentes escolares e a coordenadores de estabelecimento, analisadas através de análise de conteúdo categorial segundo Bardin (2013). Os resultados mostram perceções ambivalentes: por um lado, reconhece-se o potencial da proximidade, da articulação interinstitucional e da construção de um “território educativo de excelência”; por outro, enfatizam-se um modelo de transferência financeiramente deficitário, a pressão acrescida sobre os serviços municipais e a persistência de assimetrias entre responsabilidades assumidas e poder de decisão efetivo. Conclui-se que a descentralização, tal como concretizada, combina oportunidades e riscos, exigindo ajustamentos ao nível do financiamento, da clarificação de papéis e do reforço da capacidade institucional e participativa dos municípios, para que a transferência de competências se traduza em maior qualidade e equidade educativa.
