Browsing by Issue Date, starting with "2017-12-30"
Now showing 1 - 10 of 61
Results Per Page
Sort Options
- Resultados preliminares da adaptabilidade da Vetiveria zizanioides e Phragmites australis numa instalação piloto de leitos flutuantesPublication . Rocha, C.; Almeida, A.; Borralho, T.; Durão, A.No Alentejo os cursos de água superficiais são conhecidos por conter excesso de nutrientes, derivados das práticas agrícolas, e/ou pelo excesso de metais, provenientes das atividades mineiras. As águas de escorrência de drenagem mineira ácida (DMA) são caracterizadas por conterem valores relativamente baixos de pH, valores elevados de sulfatos e de metais pesados. Uma vez que os metais pesados não são biodegradáveis, acumulam-se e consequentemente promovem, impactes negativos para o ambiente e para a saúde (contaminação da cadeia alimentar, provocando risco para a saúde humana). A eco-reabilitação nos recursos hídricos superficiais, com recurso a leitos flutuantes é uma tecnologia emergente, pouco desenvolvida em Portugal. Esta tecnologia é constituída por leitos flutuantes (plataforma flutuante com macrófitas), com a finalidade de melhorar a qualidade de água superficial e consequentemente minimizar os efeitos das escorrências da DMA. Nos leitos flutuantes ocorre uma relação simbiótica entre as plantas (sistema radicular), os microrganismos e água. O sistema radicular denso das plantas que permite entre outros a assimilação de nutrientes e de outros poluentes, nomeadamente, os metais pesados e a fixação de microrganismos. A Ribeira da Água Forte, localizada na sub-bacia do Roxo, pertencente à Bacia hidrográfica do Sado, apresenta características típicas de uma água de DMA, por receber as escorrências da atividade mineira que se localiza a montante (Almina – Aljustrel) desta. O estudo em curso na ESABeja pretende avaliar o desempenho da instalação construída à escala piloto como medida de mitigação para os impactes resultantes da DMA nos recursos hídricos. O objetivo deste artigo é apresentar os resultados preliminares da adaptabilidade das espécies utilizadas (Vetiveria zizanioides e Phragmites australis) na instalação à escala piloto num período de monitorização de 15 semanas. Para o efeito, efetuou-se a monitorização da instalação piloto, com uma periodicidade semanal: 1) aos parâmetros, pH, temperatura da água (Tw) e do ar (Tar) e oxigénio dissolvido (OD); 2) com inspeções visuais às plantas e 3) medições à biomassa folicular e radicular. Os resultados preliminares revelam que tanto a Vetiveria zizanioides como a Phragmites autralis: (1) toleram pH (3,36 ± 0,24) baixos conforme descrito na literatura; potencial redox foi de 504,5 ± 61,1 mV; OD foi de 9,25 ± 0,83; (2) o crescimento médio semanal na biomassa vegetal aérea foi de 2,2 ± 1.99 cm para a Vetiveria zizanioides e 9,59 ± 5,99 cm para Phragmites autralis; (3) o crescimento médio semanal da biomassa radicular foi de 0,61 ± 0,39 e 2,90 ± 0,78 cm para a Vetiveria zizanioides e Phragmites autralis respetivamente; (4) observou-se taxa de crescimento em ambos casos mais elevada para temperaturas de água mais elevadas. Apesar das plantas não terem apresentado sinais de clorose, necrose, fumagina ou podridão, a baixa taxa de crescimento, poderá estar associado ao seu ciclo de vida e às condições climáticas.
- Orizicultura e a presença de Arsénio no solo e na água de irrigaçãoPublication . Ferreira, D.; Simões, M.; Pessoa, F.; Reboredo, F.; Almeida, J.O arroz é cultivado, em regadio, nas principais zonas húmidas de Portugal, situadas nas bacias dos rios Mondego, Tejo e Sado, sendo a espécie mais comum a Oryza sativa L., uma monocotiledónia da família das gramíneas. Representa uma importante contribuição energética na nutrição humana, sendo a principal fonte de tiamina, riboflavina e niacina. As condições de cultivo e a morfologia da planta favorecem a absorção do Arsénio (As) e a acumulação no grão com consequências graves na saúde humana. Compostos orgânicos e inorgânicos deste metaloide podem ser adsorvidos por via oral, inalação e dérmica. A absorção depende da solubilidade de cada composto. A toxicidade é maior nas formas inorgânicas, cerca de 100 vezes mais, do que nas formas parcialmente metiladas. A exposição continuada ao As pode resultar em patologias gastrointestinais, cardiovasculares e cancros da pele, pulmão, bexiga e rim (Souza et al., 2015). As fontes de exposição podem ser o ar, a água e os alimentos. Em 1999, estudos desenvolvidos nos Estados Unidos revelaram a existência de elevadas concentrações de As inorgânico no arroz em comparação com outros produtos de consumo regular, representando para o ser humano uma importante fonte de exposição ao As ao longo da vida. A inundação dos canteiros e a saturação do solo facilitam a mobilização do As por via hídrica e a adsorção pelas raízes da planta, processos controlados pelo pH e Eh do solo. O conhecimento das fontes de As, se naturais ou antropogénicas, e o desenvolvimento de estudos para compreender os processos físicos e químicos de mobilização e adsorção são relevantes para a adoção de medidas de minimização e remediação, incorporadas em boas práticas agrícolas, essenciais para produção segura de arroz e seus derivados. Estes objetivos enquadram-se nas preocupações dos produtores de arroz do vale do Tejo, que conhecedores do problema, procuram inovar os processos de cultivo com o estabelecimento de parcerias de colaboração com o fim de melhorar o conhecimento da qualidade dos solos e água de irrigação para produção controlada e obtenção de produtos de elevada qualidade. Integrado num estudo mais vasto e detalhado descrevem-se as metodologias utilizadas para caracterização física e química do solo e água de irrigação. Foi realizada uma campanha de amostragem, num total de 149 pontos amostrados, nos solos em pousio e nos canais de rega. A amostragem tem como finalidade a caracterização analítica do solo e água nos laboratórios de sedimentologia e hidroquímica do DCT/UNL. Compreende a quantificação de parâmetros físicos e químicos, tais como, a percentagem de matéria orgânica e fração fina do solo, a composição química elementar, o pH e o Eh, a condutividade elétrica da água e a composição iónica em elementos maiores. A região em estudo é constituída por parcelas agrícolas, situadas nas aluviões da margem esquerda do Tejo e nas margens do Sorraia e Almansor, na várzea que se estende no leito destes, totalizando aproximadamente 5000 ha de extensão.
- Aspetos nutricionais do arroz biofortificado em selénioPublication . Scotti-Campos, P.; Oliveira, K.; Almeida, A.S.; Pais, I.P.; Bagulho, A.S.; Reboredo, F.; Pessoa, F.; Semedo, J.N.; Leitão, A.E.; Ramalho, J.C.; Lidon, F.C.O Selénio (Se) é um elemento considerado essencial na saúde humana. No entanto regista-se um nível baixo de ingestão do mesmo, devido à sua escassez nos alimentos. O arroz é um dos cereais mais consumidos em todo o mundo. O aumento do teor de Se no arroz através de estratégias de melhoramento de plantas e de biofortificação agronómica poderá contribuir para um maior consumo deste elemento pelas populações. Este estudo pretende caracterizar alguns aspetos nutricionais do arroz biofortificado naturalmente em Se, obtido em ensaios de campo no Ribatejo, a partir de variedades comerciais (Ariete e Albatros) e linhas avançadas portuguesas (OP1105 e OP1109, Programa de Melhoramento do Arroz - INIAV/Cotarroz). Procedeu-se à aplicação foliar de Se sob a forma de selenato e selenito de sódio, em várias concentrações, com e sem adubação de fundo com selenato. A aplicação foliar (sem adubação de fundo) foi suficiente para obtenção de resultados satisfatórios. O Se distribuiu-se uniformemente pelo grão em todos os tratamentos. Alguns parâmetros nutricionais e de qualidade (lípidos, açúcares solúveis, proteína) foram avaliados na farinha obtida a partir dos grãos biofortificados. A concentração de Se nos grãos aumentou com os teores foliares de selenito e selenato aplicados, obtendo-se no entanto melhores resultados para o selenito. Observou-se variabilidade genética entre os genótipos, destacando-se Albatros e OP1105 pelos maiores teores de Se acumulados no grão, o que possibilita uma manipulação tecnológica relevante. As aplicações de Se provocaram alterações nos teores de ácidos gordos totais em alguns genótipos, resultantes de variações nos teores dos ácidos palmítico (C16:0), oleico (C18:1) e linoleico (C18:2). Os teores de açúcares solúveis e de proteína tenderam a aumentar com as concentrações mais elevadas de Se. De uma forma geral o peso de mil grãos (PMG) não foi significativamente afetado pelos tratamentos. Em síntese, os tratamentos aplicados parecem ser adequados tendo em vista a acumulação de Se no grão, não comprometendo a produção nem os parâmetros nutricionais. As concentrações de Se a serem aplicadas dependerão da finalidade industrial do arroz. Concentrações mais baixas de Se (30 a 60 g Se ha-1) serão mais adequadas para a biofortificação de arroz em áreas de cultivo extensas, enquanto que as mais elevadas (até 180 g Se ha-1) permitirão a obtenção de grãos com maior concentração de Se, que poderão ser submetidos ao processamento industrial (i.e., produção de farinha) e incorporar misturas com farinhas não biofortificadas.
- Identificação e caracterização do perfil nutricional de sêmolas contrastantesPublication . Reis, S.; Pessoa, F.; Pais, I.; Scotti-Campos, P.; Lidon, F.Neste estudo assumiu-se como objetivo a caracterização de sêmolas contrastantes, no âmbito de um projeto para conclusão da Licenciatura em Bioquímica, na Faculdade de Ciências e Tecnologias da Universidade Nova de Lisboa. A nível académico este projeto teve como objetivos principais o aprofundar de conhecimentos ao nível da produção agroindustrial, e ainda uma concretização prática de conhecimentos adquiridos durante a Licenciatura em Bioquímica, que atualmente se encontra em fase de conclusão. Foi também um objetivo, a perceção de como alguns procedimentos laboratoriais, anteriormente objeto de aprendizagem, podem ser utilizados na análise e caracterização de produtos da indústria alimentar, mais concretamente, na caracterização a nível nutricional de sêmolas contrastantes. Em 4 tipo de amostras de trigo duro (variedades Hélvio, Preto Amarelo, TE 1202 e Celta), cedidas pela Estação Nacional de Melhoramento de Plantas de Elvas – Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, efetuou-se a caracterização do peso, volume e de densidade dos grãos. Nas respetivas sêmolas efetuou-se uma caracterização de micro e macronutrientes, assim como os índices de cor, e teores de humidade, cinzas, proteínas, ácidos gordos, glúten, açúcares. Concluiu-se que nas quatro variedades de trigo duro a maioria dos parâmetros está dentro dos parâmetros legislados.
- Produção Sustentável em Ambiente Protegido de Flores para Uso HumanoPublication . Nabais, A. S.; Galvão, J. R.; Ascenso, R. M. T.As crescentes preocupações ambientais e as novas tendências pelo consumo nutricional orgânico (mais saudável e livre de produtos químicos) estão a influenciar os consumidores nas escolhas que fazem, ao nível dos seus hábitos e na atitude em relação ao meio ambiente. Este paradigma tem induzido os agricultores com produções em ambientes protegidos, a um interesse renovado na geração de flores comestíveis, para uso cosmético e medicinal, como forma de procurar alternativas aos cultivares tradicionais de procura sazonal, por um mix de produtos de consumo regular e que, simultaneamente, proporcionem boa rentabilidade. O recurso a ambientes protegidos, procura ir de encontro às expectativas dos consumidores sensibilizados que estão, para uma agricultura sustentável, quer ao nível da segurança dos produtos, quer ao nível do impacto ambiental resultante da atividade gerada. Embora os requisitos culturais para a produção de flores para uso humano sejam semelhantes aos das flores ornamentais, exige-se para estas, uma produção especializada, uma vez que são cultivadas sem qualquer tipo de agrotóxico ou produto químico. Sendo o recurso a agroquímicos nulo, importa investir em tecnologias relacionadas com a produção em ambiente protegido, nomeadamente no que se refere à temperatura, humidade, irrigação e radiação solar. Os principais custos associados a culturas produzidas em estufas estão relacionados com a energia e o ambiente. Ressalta assim, a preocupação crescente atribuída a estas duas componentes, pelo impacto que representam na imagem e na competitividade das empresas produtoras. Esta condição é ainda mais relevante, quando falamos de floricultura para uso humano, cuja produção se rege por superiores exigências em climatização com temperaturas médias de 11°C no inverno e de 26°C no verão, o que eleva os consumos energéticos e por conseguinte, com substancial impacto ambiental. Estes pressupostos induzem os empresários do setor, a realizar os seus investimentos, em zonas com climas mais moderados, cientes de que, esta circunstância deprecia os encargos associados à produção e sustentabilidade. As estufas selecionadas para a realização desta investigação localizam-se no Ribatejo/Portugal e protegem uma área de 24.000m². O sistema de aquecimento é composto por uma caldeira com uma potência nominal de 2.000kW, cuja energia primária é a biomassa sólida. A gestão dos vários parâmetros, relativos ao ambiente interno é assegurada, por sensores instalados nas estufas e em boa parte pela ventilação natural. Avaliaram-se os padrões construtivos, assim como, consumos de energia elétrica, poder calorifico do combustível, combustão da caldeira, emissões gasosas e ambiente no interior da infraestrutura. Após avaliação das condições de funcionamento propôs-se um conjunto de medidas de melhoria, nomeadamente, combustível a utilizar na caldeira, armazenagem da biomassa, isolamento térmico de tubagens, elementos construtivos e equipamentos de inércia térmica, que no seu conjunto constituem, um superior desempenho energético e ambiental desta estrutura. Também se propôs a instalação de um sistema fotovoltaico em regime de autoconsumo, com o objetivo de contribuir para a eficiência energética e ambiental, neste tipo de produções agrícolas. Complementarmente a estas ações realizou-se um estudo económico da viabilidade dos investimentos.
- Influência do aumento da concentração do CO2 atmosférico e da temperatura do ar no desenvolvimento da cultura do caféPublication . Semedo, J.N.; Pais, I.P.; Rodrigues, A.P.; Leitão, A.E.; Ribeiro, A.; Dubberstein, D.; Partelli, F.L.; DaMatta, F. M.; Lidon, F.C.; Scotti-Campos, P.; Ramalho, J.C.O clima condiciona fortemente a produtividade agrícola e mesmo alterações moderadas a severas das condições ambientais poderão afetar a produção, levando a perdas económicas e impactos sociais. O previsível aumento da concentração de CO2 atmosférico, associado a alterações nos padrões de pluviosidade, ao aumento na duração e intensidade da seca, bem como a um aumento generalizado das temperaturas, são realidades cada vez mais presentes em todos os cenários agrícolas. As interações complexas entre estes diferentes fatores alterarão as respostas das plantas com potencial impacto acrescido na produtividade e qualidade dos produtos finais. O aumento da concentração atmosférica de diferentes gases com efeito de estufa, com destaque para o CO2, tem ocorrido em simultâneo com o aumento da temperatura do ar. Desde o início da revolução industrial no séc. XVIII, a concentração de CO2 aumentou de ca. 280 μL CO2 L-1, tendo ultrapassado 400 μL CO2 L-1 em 2013, sendo previsível que possa atingir valores entre 421 e 936 μL CO2 L-1 no final do século. Adicionalmente, previsões recentes para este século apontam para aumentos da temperatura ao nível da superfície do planeta que poderão ir de 0,3-1,7 ºC, até um extremo de 2,6-4,8 ºC. Este eventual aumento de temperatura levará a alterações drásticas nos teores de humidade do ar e consequentemente nos regimes de pluviosidade. Estas circunstâncias poderão promover condições de seca mais frequentes e extremas. Contrastando com o impacto negativo da redução da disponibilidade hídrica ou do aumento da temperatura, o aumento do valor de CO2 per se pode ter um papel positivo, pois estimula a produção. A cultura do café é uma das mais importantes culturas de rendimento do mundo, estando presente em mais de 80 países da região tropical e sendo suportada por 2 espécies, Coffea arabica L. (café tipo Arábica) e Coffea canephora Pierre ex A. Froehner, (café tipo Robusta). Neste contexto torna-se premente o estudo dos mecanismos (com destaque para os ecofisiológicos) envolvidos na aclimatação das plantas, a um ambiente em permanente mudança. Recentes projeções indicam perdas significativas da área de cultivo de Coffea sp (particularmente de C. arabica), mas estudos recentes mostraram que o aumento dos valores de CO2 na atmosfera têm um efeito claramente mitigador do impacto de temperaturas supra-óptimas, moderando os impactos antes estimados com base em modelos que não têm em linha de conta este efeito benéfico do CO2. O conhecimento proveniente de estudos multidisciplinares e a obtenção de indicadores ecofisiológicos auxiliará na seleção de indivíduos mais tolerantes e servirá de ferramentas para o melhoramento de novas plantas com uma maior capacidade de adaptação.
- Bolota: Um recurso endógeno na dieta MediterrâneaPublication . Correia, S.; Figueira, D.; Carvalho, M. J.; Dias, J.; Lampreia, C.; Costa, M. B.; Palma, J. F.; Costa, N.; Beja, N.O crescente interesse pela procura de recursos endógenos edíveis e a exigência de alimentos novos funcionais, são factos que se têm difundido, e decorrentes dessa evolução, é possível que a bolota possa voltar à nossa dieta. A bolota é um fruto proveniente de espécies do género Quercus, sendo a mais utilizada a bolota proveniente da espécie Quercurs ilex rotundifolia, de nome comum – azinheira. Ao longo de séculos, a bolota sempre foi um componente maioritário na dieta de várias espécies da vida selvagem, como sejam, aves e mamíferos, e apesar de atualmente já não ser um alimento usual na dieta do Homem, as suas evidências são ancestrais e remontam ao Paleolítico, tendo sido um dos frutos de recoleção, cujo papel era determinante em muitas civilizações espalhadas pelo Mundo, e em Roma Antiga, o Quercus era considerado sagrado como sendo a “tree which first produced food for mortal man” (Plínio, I d.C.). E, ao longo dos tempos, as bolotas foram um alimento muito procurado, em particular no período da II Guerra Mundial, com múltiplos fins, nomeadamente, farinha para pão e bolos, sopa, óleo, puré, café, doces, e, também, assada como a castanha. Uma mais-valia da bolota é o facto de ser um alimento potencialmente ecológico, pois não necessita de quantidades massivas de água, nem de fertilizantes, nem tão pouco de pesticidas e não requer quaisquer práticas agrícolas, sendo que os montados, onde o sobreiro e a azinheira dominam, são um dos melhores exemplos de sustentabilidade ambiental e biodiversidade. Há décadas que em Portugal a bolota é usada principalmente como alimento para porcos, mas perspetiva-se que tem um enorme potencial na Dieta Mediterrânica. A génese trabalho é promover a Dieta Mediterrânica numa região do Alentejo tão nobre em conceitos de sustentabilidade ambiental, social e cultural. A iniciativa de efetuar um livro de receitas que surgiu no culminar de atividades do grupo de trabalho num reconhecimento da importância em reforçar que este padrão alimentar constitui uma ferramenta na educação alimentar das escolas, incitando a estilos de vida saudáveis, em que se privilegia a utilização de alimentos tradicionais e da época, confecionados por práticas culinárias simples, e assentando numa alimentação adequada, quer do ponto de vista nutricional, quer do conhecimento da produção alimentar local e sazonal, e concomitantemente perpetuando a cultura gastronómica regional, disseminada de geração em geração. Subsequentemente, e decorrente de esforços conjuntos surge a compilação de um livro com a apresentação de receitas caseiras confecionadas com bolota, intitulado: “Somos o que comemos…” A bolota, uma alternativa para a dieta humana! - Receitas com bolota”.
- Aplicação da alta pressão na conservação de bombonsPublication . Coelho, P.; Dias, J.; Alvarenga, N.; Duarte, R.; Saraiva, J.A conservação de bombons artesanais apresenta algumas dificuldades devido ao facto de serem usadas matérias-primas perecíveis, alterações físicas durante o processamento e também devido a fatores externos que tendem a reduzir o tempo de prateleira. Os fatores mais importantes que contribuem para o tempo de prateleira incluem propriedades físicas (ex. secagem, sugar bloom ou fat bloom), estabilidade microbiológica e propriedades químicas (ex. oxidação de ácidos gordos, hidrólise de ácidos gordos ou saponificação). Neste contexto, a aplicação da alta pressão poderia ser uma alternativa à pasteurização convencional, uma vez que não implica a utilização de altas temperaturas. O objetivo do presente trabalho presente trabalho foi a avaliação do tempo de vida útil de bombons submetidos ao tratamento de alta pressão, utilizando como termo de comparação um ensaio controlo, onde os bombons foram apenas mantidos a 20ºC e um ensaio em que as amostras foram conservadas a 4ºC. Para tal foi necessário a monitorização das propriedades físico-químicas, microbiológicas e estruturais dos bombons e a otimização das variáveis envolvidas no processo de produção e conservação: I) seleção do tipo de tratamento (alta pressão, refrigeração ou testemunho); II) seleção dos ciclos de tratamento (400 MPa/2minutos ou 500 MPa/1minuto); III) temperatura de conservação (20 ºC, ou 4 ºC); IV) tempo de conservação (dos 0 aos 180dias). As metodologias seguidas incluíram a produção de bombons, com recheio constituído por natas e chocolate branco e cobertura de chocolate negro, seguida da avaliação físico-química (humidade, Aw, pH, cor), microbiológica (mesófilos aeróbios totais, bolores e leveduras) e de reologia. Os resultados mais positivos observaram-se no ensaio mantido a 4ºC. Comparativamente, no tratamento de alta pressão, o ensaio a 400 MPa foi o mais negativo relativamente à humidade e o ensaio a 500 MPa o menos eficaz ao nível do Aw, pH, cor e modulo de armazenamento (G’). Contudo, nas análises microbiológicas, este ultimo foi mais eficiente que o anterior (400 MPa) e que o testemunho (preservado a 20ºC).
- Pão: o tradicional versus “novas” formulaçõesPublication . Pessoa, M.F.; Ribeiro, V.; Lidon, F.; Reboredo, F.O pão, do latim “pane”, é um produto alimentar que resulta da mistura de farinha de trigo ou outras, água e sal, com adição (pão levedado) ou não (pão ázimo) de levedura (Saccharomyces cerevisiae) ou fermento (bicarbonato de sódio), formando uma massa com uma consistência elástica, à qual é possível dar-lhe várias formas seguido de um processo de cozedura. Faz parte da dieta da maioria da população mundial e estima-se ser um dos produtos alimentares mais antigos. As razões para este sucesso, prendem-se com o facto de ser um alimento de baixo custo (acessível a todas as classes sociais), de fácil digestão (o que o torna como um alimento transversal quer na idade quer no estado de saúde do indivíduo), de fácil conservação, muito rico nutricionalmente e também de uma ampla versatilidade gastronómica. Nesta brevíssima comunicação, dar-se-á a conhecer a composição de diversas formulações (à base de farinha de trigo) com cariz artesanal, às quais se associam o perfil nutricional, organoléptico e eventualmente funcional. A farinha de trigo artesanal foi proveniente da Empresa PaniMafra – Indústria de Panificação Lda. As diferentes formulações tiveram a participação activa de alunos de Licenciatura em Bioquímica da FCT/UNL e da Licenciatura em Dietética da Esslei.
- Comunidade microbiana epifítica associada à azeitona in naturaPublication . Lima, A. F.; Gomes, T.; Lidon, F.C.; Pereira, J. A.; Baptista, P.Nos últimos anos, o posicionamento no mercado de produtos do olival com elevada qualidade tem sofrido alterações consideráveis, sobretudo pela procura de produtos diferenciados. O desenvolvimento de estratégias de diferenciação, assentes na qualidade, sabor e aroma são desafios crescentes sobretudo para satisfazer consumidores cada vez mais exigentes. A diversidade microbiana presente na azeitona, demonstrada em estudos anteriores, associada ao seu potencial em sintetizar compostos, sugere que os microrganismos possam ter um papel importante na determinação da qualidade e nas características dos produtos daí resultantes. Assim, a identificação da flora microbiana da azeitona abrirá perspetivas à sua possível utilização controlada, e assim produzir produtos diferenciados e de qualidade superior, aspetos não explorados até ao momento. Assim, o presente trabalho tem como objetivo geral criar uma coleção de microrganismos autóctones que possam ser promissores para uma utilização futura em desenvolvimento de novos produtos do olival. Para tal, isolou-se a população microbiana epifítica de azeitonas acabadas de colher de três variedades: Cobrançosa, Madural Verdeal Transmontana, com recurso à técnica da diluição em Placa de Petri, em meio de cultura Potato Dextrose Agar (PDA) e meio sólido Luria-Bertani (LB). Os resultados obtidos foram analisados tendo por base a variedade e o meio de cultura utilizado. Com base nas características morfológicas das colónias de bactérias, leveduras e fungos filamentosos foram obtidos 133 isolados que estão em fase de identificação até à espécie. Para fungos e leveduras, verificou-se que o meio PDA foi mais efetivo, contrariamente às bactérias que se desenvolveram melhor e em maior número no meio LB. Quando agrupadas por semelhança morfológica, totalizam 48 isolados diferentes. O efeito da variedade não foi muito evidente, uma vez que a população encontrada foi muito semelhante nas três variedades em estudo. O trabalho desenvolvido até ao momento permite afirmar a grande variedade e riqueza microbiana, e a sua utilização poderá abrir perspetivas à produção de produtos diferenciados.