ESSLei - Mestrado em Enfermagem Comunitária - Área de Enfermagem em Saúde Familiar
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- Estimulação Cognitiva na Doença Mental Crónica: Intervenção nos Domínios da Atenção e Memória: Relatório de EstágioPublication . Domingues, Dora Sofia Rodrigues; Gomes, José Carlos RodriguesO presente relatório de estágio descreve e analisa criticamente o percurso de desenvolvimento de competências especializadas em Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiátrica (ESMP), realizado no âmbito do Mestrado em Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiátrica da Escola Superior de Saúde de Leiria. O itinerário formativo percorreu três contextos assistenciais distintos: a Unidade de Cuidados na Comunidade de Ourém (ULS Médio Tejo), o Serviço de Internamento de Psiquiatria de Peniche (ULS Oeste) e o Departamento de Psiquiatria e Saúde Mental das Caldas da Rainha. Ancorado na Teoria das Transições de Afaf Meleis e no modelo de Relações Interpessoais de Hildegard Peplau, o percurso focou-se na transição de papel do enfermeiro de cuidados gerais para o patamar de enfermeiro especialista. A prática clínica foi sustentada por intervenções de matriz cognitivo-comportamental, psicoterapêutica e socioterapêutica, centradas na capacitação do utente e da família para o processo de recovery. Atendendo às necessidades identificadas, foi implementado um Programa de Melhoria Contínua da Qualidade dos Cuidados de Enfermagem (PMCQCE) focado na estimulação cognitiva. A operacionalização deste programa permitiu sistematizar a intervenção especializada, utilizando a estimulação cognitiva como ferramenta para otimizar a funcionalidade e a autonomia dos utentes. Os resultados obtidos evidenciam ganhos em saúde mental, nomeadamente na manutenção de capacidades cognitivas remanescentes e no reforço da aliança terapêutica através do uso terapêutico do eu. Em conclusão, este relatório demonstra a integração de saberes teóricos e práticos, validando a aquisição das competências comuns e específicas exigidas pela Ordem dos Enfermeiros. O percurso revelou-se transformador, consolidando uma identidade profissional assente na peritagem clínica, na ética e na busca incessante pela excelência e segurança dos cuidados em saúde mental.
- Capacitação Parental na Gestão da Alergia Alimentar na Infância: Contributos do Enfermeiro Especialista em Enfermagem Saúde FamiliarPublication . Coito, Cláudia dos Santos; Rosa, Paulino GomesA alergia alimentar destaca-se como uma das doenças crónicas mais prevalentes na infância, afetando cerca de 6-8% das crianças em idade escolar, com tendência crescente. Trata-se de uma condição sem cura definitiva, cuja gestão assenta na evicção do alergénio, reconhecimento precoce de reações e resposta adequada a situações agudas. Neste contexto, a capacitação parental assume um papel central, sendo fundamental compreender o contributo do Enfermeiro Especialista em Enfermagem de Saúde Familiar na gestão da alergia alimentar. Foi realizada uma revisão integrativa da literatura, com recurso às bases de dados MEDLINE, CINAHL e Nursing & Allied Health Collection, tendo sido selecionados cinco estudos segundo critérios PRISMA. Os resultados evidenciam que a gestão da alergia alimentar na infância representa um desafio multidimensional, com impacto físico, emocional e social. Destacam-se o medo e a ansiedade parental, com repercussões nos padrões alimentares bem como o impacto psicossocial na criança e família. Conclui-se que o Enfermeiro especialista enfermagem de saúde familiar assume um papel central na capacitação parental, promovendo intervenções educativas, apoio emocional e articulação com recursos comunitários, embora a evidência disponível em contexto comunitário português ainda seja limitada.
- Intervenções promotoras da transição para a parentalidade na figura paterna – estratégias do Enfermeiro Especialista em Enfermagem Comunitária na área de Enfermagem de Saúde FamiliarPublication . Luís, Cátia Rafaela Almeida; Rosa, Paulino GomesEnquadramento: A enfermagem, enquanto disciplina científica centrada na pessoa, família, saúde e ambiente, assume um papel fundamental na promoção da saúde e na gestão das transições ao longo do ciclo vital. A transição para a parentalidade na figura paterna constitui um período crítico desse ciclo, exigindo do pai a reconstrução de papéis, rotinas e significados e, perante a ainda frequente exclusão dos pais dos cuidados de saúde, coloca o EEECESF numa posição central para identificar necessidades específicas, promover a adaptação, a participação ativa e a capacitação parental, contribuindo para cuidados efetivamente centrados na família. Objetivo: Este estudo, intitulado “Intervenções promotoras da transição para a parentalidade na figura paterna – estratégias do EEECESF”, teve como objetivo geral analisar as intervenções realizadas e as estratégias promovidas pelo EEECESF na promoção da adaptação e envolvimento de pais na transição para a parentalidade. Método: Revisão Integrativa da Literatura. Mnemónica PICo: População (P) - pais (homens) na transição para a parentalidade; Intervenção (I) – intervenções e estratégias realizadas pelo EEECESF na promoção da adaptação e capacitação parentais; Contexto (Co) – cuidados de saúde primários. Definiram-se critérios de inclusão que contemplaram estudos de diferentes metodologias, disponíveis na íntegra, de acesso livre, publicados nos últimos cinco anos em português, inglês, francês ou espanhol, e procedeu-se a uma pesquisa sistemática em bases de dados de enfermagem e saúde (PubMed e agregador EBSCOhost), com os termos “parentalidade”, “transição” e “enfermeiros” com posterior seleção dos estudos elegíveis e extração dos dados. Resultados: Tornar-se pai é vivido como uma experiência profundamente transformadora, em que os homens procuram criar estratégias flexíveis para se ajustarem à nova situação de vida, recorrendo frequentemente a recursos digitais como fonte de apoio e orientação. Os resultados mostram que o apoio profissional estruturado, assente numa relação de confiança, escuta ativa, acolhimento, estabelecimento de parceria, guia na aquisição do novo papel parental, o cuidado das emoções e a criação de um ambiente pacífico, associa-se a melhor qualidade da coparentalidade e a menos perturbações no vínculo pai-bebé. Em contraste, uma maior dependência exclusiva de apoio digital informal e a menor inclusão dos pais, sobretudo multíparos, nas visitas de saúde infantil relacionam-se com maior vulnerabilidade, pior qualidade da coparentalidade ao longo do tempo e mais dificuldades na construção da ligação ao bebé, sublinhando a importância de intervenções continuadas do EEECESF para sustentar o envolvimento paterno. Conclusão: A Revisão Integrativa da Literatura, permite concluir que o EEECESF dispõe de um conjunto diversificado de intervenções e estratégias com potencial para promover a adaptação e o envolvimento da figura paterna na transição para a parentalidade. As evidências mostram que incluir intencionalmente o pai nas consultas, reconhecer as suas necessidades específicas e promover o desenvolvimento de competências parentais contribui para uma maior participação paterna, reforço da confiança no papel de pai e melhor bem-estar familiar. Persistem, contudo, lacunas na formação dos profissionais, na organização dos serviços e nas políticas de saúde, que limitam a integração sistemática da perspetiva paterna nos percursos de cuidados familiares, evidenciando a necessidade de reforçar práticas pai-inclusivas em cuidados de saúde primários.
- Licenças Parentais e de Amamentação em Portugal: Uso, Perceções e Impacto na Dinâmica FamiliarPublication . Lopes, Cátia Isabel dos Reis; Rosa, Paulino GomesA conciliação entre a vida familiar e profissional constitui um desafio relevante no período pós-parto, fase marcada por exigências acrescidas de cuidado, reorganização familiar e adaptação à parentalidade. Neste contexto, as licenças parentais e de amamentação assumem particular importância enquanto instrumentos de apoio às famílias, de proteção da parentalidade e de promoção da igualdade entre mães e pais. O presente estudo teve como objetivo analisar o uso, as perceções e o impacto das licenças parentais e de amamentação em Portugal, procurando compreender de que forma estas se relacionam com a dinâmica familiar, a distribuição do tempo de cuidado parental e a conciliação entre vida profissional e familiar. Foi desenvolvido um estudo exploratório e descritivo, de natureza mista e transversal. A recolha de dados foi realizada através de um questionário online, dirigido a famílias residentes em Portugal, em que pelo menos um dos progenitores exercesse atividade profissional, com filhos nascidos a partir de 2020. A amostra foi constituída por 452 participantes. Os dados quantitativos foram tratados com recurso ao Microsoft Excel e ao IBM® SPSS Statistics, tendo sido realizada análise estatística descritiva. As respostas abertas foram analisadas de forma complementar, através da identificação de categorias temáticas emergentes. Os resultados evidenciam um predomínio da licença parental inicial partilhada, embora a distribuição efetiva do tempo de cuidado continue a revelar uma maior centralidade da mãe. A escolha e a duração das licenças parecem ser influenciadas por fatores económicos, profissionais, familiares e organizacionais, evidenciando que estas decisões dependem não apenas da preferência das famílias, mas também das condições concretas em que vivem e trabalham. A licença parental alargada surge associada à necessidade de prolongar o tempo de cuidado, apesar da menor compensação económica. Verificou-se ainda uma elevada frequência de amamentação, sendo a dispensa para amamentação percecionada como relevante para a sua continuidade, embora condicionada pelas exigências laborais. As respostas abertas reforçam a importância das licenças na adaptação à chegada do bebé, na reorganização das rotinas, na partilha de cuidados e no fortalecimento do vínculo parental, evidenciando também uma perceção recorrente de insuficiência da sua duração face às necessidades das famílias. Conclui-se que as licenças parentais e de amamentação constituem recursos importantes para a vivência da parentalidade e para a dinâmica familiar, mas o seu usufruto permanece condicionado por fatores económicos, laborais, familiares e organizacionais. Os resultados sugerem a necessidade de maior atenção às condições concretas em que as famílias exercem estes direitos, bem como de uma intervenção em Enfermagem de Saúde Familiar sensível às dimensões do tempo de cuidado, da partilha parental, da amamentação e do regresso ao trabalho.
- Perceção do enfermeiro de família acerca da dinâmica familiar no contexto da visita domiciliária ao recém-nascidoPublication . Costa, Ana Filipa Eusébio da; Rosa, Paulino GomesContexto: A visita domiciliária (VD) ao recém-nascido e à sua família representa um momento privilegiado de intervenção do enfermeiro de saúde familiar, numa fase de transição marcada pela chegada de um novo membro e pela reorganização das dinâmicas familiares. Esta prática permite um acompanhamento próximo e individualizado, favorecendo a avaliação do estado de saúde do recém-nascido, bem como a compreensão do contexto e das necessidades da família, essenciais para a promoção do bem-estar e do desenvolvimento saudável da criança. Objetivo: Esta revisão tem como objetivo conhecer a perceção dos enfermeiros de família na dinâmica familiar aquando primeira visita do recém-nascido ao domicílio. Métodos: Realizou-se uma Revisão Integrativa da Literatura (RIL) com pesquisas em bases de dados científicas como PubMed e no agregador de bases de dados EBSCOhost, utilizando termos como “enfermeiros”, “parentalidade”, “visita domicílio” e “recém-nascido”, no período entre 2016 e 2026. A análise dos dados foi realizada de forma qualitativa, destacando as principais intervenções e conclusões. Resultados: As visitas domiciliares são uma intervenção privilegiada para apoiar precocemente a parentalidade e promover o desenvolvimento infantil, permitindo simultaneamente uma compreensão mais abrangente das vulnerabilidades e potencialidades das famílias. A referir que o domicílio constitui um espaço privilegiado, no qual os pais se manifestam mais confortáveis para expressar dúvidas, inseguranças e necessidades, favorecendo a construção de vínculo, confiança e uma comunicação aberta com os profissionais de saúde, nomeadamente, os enfermeiros. No mesmo sentido que a VD, em vez de se centrar apenas na doença ou no evento clínico, permite uma abordagem holística focada na família e no seu ambiente real de vida. Assim, o enfermeiro observa e compreende as rotinas diárias da família, os recursos disponíveis (rede de apoio), as dinâmicas relacionais (interações, conflitos e forças familiares) e as condições habitacionais (espaço físico, higiene, acessibilidade) que dificilmente seriam visíveis no ambiente institucional como por exemplo na consulta de enfermagem de saúde infantil. Conclusão: A revisão integrativa demonstra que a visita domiciliária ao recém-nascido se configura como uma intervenção da Enfermagem de Saúde Familiar, permitindo uma avaliação sistémica e contextualizada da família, com enfoque nas dinâmicas familiares, nos determinantes sociais da saúde e nos processos de transição para a parentalidade. Evidencia-se o papel do Enfermeiro Especialista em Enfermagem de Saúde Familiar (EEESF) na construção de uma relação terapêutica baseada na confiança e empatia, facilitadora da comunicação e promotora do envolvimento da família no processo de cuidados, em consonância com os princípios dos cuidados centrados na família. Destaca-se ainda a relevância da visita domiciliária na identificação precoce de vulnerabilidades e fatores de risco, possibilitando a implementação de intervenções preventivas. Paralelamente, o EEESF assume um papel determinante na promoção da parentalidade, na capacitação e empowerment familiar, contribuindo para a adaptação saudável ao período pós-natal. Contudo, a evidência científica permanece limitada, reforçando a necessidade de investigação adicional, particularmente em contexto de cuidados de saúde primários, com enfoque na avaliação e intervenção nas dinâmicas familiares no período pós-natal.
- Avaliação e Intervenção Familiar em Cuidados de Saúde Primários para Famílias de Crianças com Necessidades de Saúde EspeciaisPublication . Barros, Ana Carolina Garcia; Menino, Eva Patrícia da Silva GuilhermeEnquadramento: O presente relatório insere-se no âmbito do Estágio de natureza profissional em Enfermagem de Cuidados à Família, integrado no VIII Mestrado em Enfermagem Comunitária na área de Enfermagem de Saúde Familiar, da Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico de Leiria. O percurso formativo decorreu em contexto de Unidade Saúde Familiar (USF) da Unidade Local de Saúde da Região de Leiria, permitindo o desenvolvimento progressivo de competências especializadas na prestação de cuidados centrados na família enquanto unidade de cuidados. A prática clínica foi sustentada por referenciais teóricos da Enfermagem de Saúde Familiar e por uma abordagem sistémica, sendo complementada por uma componente de prática baseada na evidência centrada nas necessidades de saúde especiais (NSE) em crianças, com particular enfoque no Transtorno do Défice de Atenção e Hiperatividade (TDAH). As NSE em crianças correspondem a condições que afetam a funcionalidade e requerem cuidados diferenciados, com impacto no desenvolvimento e bem-estar (OE, 2022). Estas crianças apresentam maior risco de problemas de saúde mental, exclusão social e dificuldades no acesso aos cuidados (OMS, 2023; Stevens et al., 2024). A presença de NSE implica desafios significativos para a família, nomeadamente stress, sobrecarga e impacto na saúde dos cuidadores (Stevens et al., 2024). A identificação precoce e a intervenção centrada na família são fundamentais para promover a adaptação e prevenir complicações (Okido et al., 2018). No caso do TDAH, enquanto perturbação frequente do neuro desenvolvimento, destaca-se a necessidade de reorganização familiar e de intervenções ajustadas às necessidades específicas (WHO, 2019; American Psychiatric Association, 2023; Wright & Leahey, 2011; Meleis, 2010). Objetivos: Desenvolver competências comuns e específicas do Enfermeiro Especialista em Enfermagem de Saúde Familiar em contexto de cuidados de saúde primários; Caracterizar o contexto da prática clínica; e, no âmbito da prática baseada na evidência, identificar crianças com NSE numa USF e avaliar o funcionamento de uma família com uma criança com diagnóstico de TDAH. Metodologia: O relatório baseia-se numa abordagem descritiva e reflexiva do percurso de estágio, articulando uma análise crítica da prática clínica com uma componente de investigação. Esta integrou dois estudos, um quantitativo, com aplicação do Children with Special Health Care Needs Screener © (CSHCN Screener ©), e um estudo qualitativo, através de um estudo de caso de uma família com uma criança com TDAH. A avaliação familiar foi realizada com recurso ao Modelo de Calgary de Avaliação e Intervenção Familiar, complementado por instrumentos validados, nomeadamente a escala APGAR Familiar, Escala de Risco Familiar de Segovia- Dreyer, Escala de García-González, Escala de Readaptação Social de Holmes e Rahe e FACES II. Resultados: A prática clínica permitiu o desenvolvimento de competências ao nível da avaliação e intervenção familiar, da tomada de decisão clínica e da articulação com a equipa multidisciplinar, evidenciando a importância da continuidade de cuidados nos CSP. No âmbito do estudo, verificou-se que as NSE nem sempre estão associadas a diagnósticos médicos, manifestando-se sobretudo ao nível da funcionalidade e necessidade de vigilância contínua. Observou-se que as famílias podem apresentar níveis adequados de adaptação e funcionalidade, mesmo na presença de uma criança com NSE, coexistindo, contudo, fatores de risco como o aumento do stress parental e a sobrecarga do cuidador principal. Conclusão: O relatório evidencia que a Enfermagem de Saúde Familiar assume um papel central na resposta às necessidades das famílias em contexto de CSP, exigindo uma prática baseada na evidência, centrada na família e sustentada em modelos teóricos. A componente de investigação reforça a importância de uma abordagem multidimensional das NSE, centrada na funcionalidade e no impacto familiar. O desenvolvimento de competências ao longo do estágio permitiu consolidar uma prática autónoma, crítica e reflexiva, orientada para a promoção da adaptação familiar, da resiliência e da qualidade dos cuidados. Apesar das limitações associadas à dimensão da amostra, os resultados obtidos contribuem para a valorização da intervenção do Enfermeiro Especialista em Enfermagem de Saúde Familiar.
- Conhecimento parental dos pais que frequentam as consultas de saúde infantil dos cuidados de saúde primários em PortugalPublication . Nunes, Rita Vieira; Sousa, Pedro Emanuel Alexandre deO presente Mestrado em Enfermagem de Saúde Comunitária, na área de Enfermagem de Saúde Familiar, foi desenvolveu-se ao longo de um percurso formativo estruturado que integrou uma componente teórica e uma componente prática em contexto clínico, em conformidade com o Regulamento n.o 428/2018 (2018). A componente teórica permitiu aprofundar modelos e teorias fundamentais que sustentam a prática da enfermagem de saúde familiar, contribuindo para o desenvolvimento do pensamento crítico, da tomada de decisão fundamentada e da prestação de cuidados baseados na evidência. Na componente prática, foi possível aplicar e consolidar os conhecimentos adquiridos, desenvolvendo competências especializadas centradas na família enquanto unidade de cuidados. Este percurso evidenciou a capacidade de estabelecer relações terapêuticas assentes na empatia, comunicação eficaz e respeito pela individualidade, promovendo a confiança e a implementação de intervenções em saúde ajustadas às necessidades da pessoa e da família. O contexto clínico possibilitou o desenvolvimento de competências na condução de entrevistas familiares estruturadas, na planificação e execução de intervenções educativas e na utilização de ferramentas de apoio à literacia em saúde, contribuindo para a capacitação das famílias e para a melhoria dos seus processos de adaptação. Adicionalmente, a possibilidade de integração de uma equipa multiprofissional favoreceu o desenvolvimento de competências colaborativas, nomeadamente na articulação interprofissional, na continuidade de cuidados e na participação em processos de melhoria da qualidade. Este ambiente permite compreender de forma detalhada o papel do enfermeiro de família na coordenação dos cuidados e na resposta às necessidades complexas das famílias. Como complemento ao percurso formativo, o desenvolvimento do projeto de investigação possibilitou o reforço das competências de análise crítica, metodologia de investigação e aplicação da evidência cientifica na prática clínica. A pesquisa centrada no conhecimento parental sobre o desenvolvimento infantil reforça a importância do envolvimento paterno na vigilância do desenvolvimento infantil, a necessidade de estratégias que envolvam o mesmo nos cuidados e a valorização do papel do enfermeiro de família. Em síntese, este percurso permitiu o desenvolvimento integrado de competências técnicas e científicas fundamentais à prática do Enfermeiro Especialista em Enfermagem de Saúde Familiar, identificando-se como área de desenvolvimento futuro.
- Crenças e atitudes dos enfermeiros dos cuidados de saúde primários sobre os cuidados centrados na famíliaPublication . Rocha, Ana Patrícia Gil; Vidinha, Telma Sofia dos SantosEnquadramento: Desde a década de 1970 que se tem observado a evolução e a mudança de paradigmas dos cuidados de saúde primários (CSP), inicialmente focados no modelo biomédico e atualmente no foco da família como unidade de cuidados (Melo, 2021). Esta evolução foi acompanhada pelo desenvolvimento da área de enfermagem de saúde familiar (ESF), que atualmente é uma área conceituada para a promoção de saúde e acompanhamento dos sistemas familiares ao longo de todo o seu ciclo vital (Figueiredo, 2012). Torna-se, por conseguinte, importante adotar uma prática de enfermagem centrada na família, com base em modelos que considerem o indivíduo no contexto familiar e social, promovendo a participação ativa de todos os intervenientes (Oliveira et al., 2011). Vários estudos demonstram que a qualidade dos cuidados depende das atitudes dos enfermeiros face à inclusão da família. Contudo, esta não é a única variável que influencia a sua inclusão (Fernandes et al., 2015; Oliveira et al., 2011). Outros estudos apontam para a influência das crenças dos enfermeiros no seu comportamento e nas suas práticas diárias, sugerindo que estas podem afetar de forma inconsciente a integração da família nos seus cuidados (Hraunfjörd et al., 2024; Nobokuni et al., 2021). No presente relatório, será efetuada uma breve contextualização da prática clínica de ESF, do local onde decorreu o estágio, dos modelos teóricos que serviram de suporte ao estágio e ao projeto de investigação, bem como do trabalho resultante da aplicação da prática baseada em evidência durante o estágio. Objetivos: Contextualizar os CSP, focando na Unidade de Saúde Familiar (USF) onde decorreu o estágio entre 28 de abril de 2025 e 29 de janeiro de 2026. Refletir sobre a aquisição das competências gerais e específicas do Enfermeiro Especialista em Enfermagem Comunitária na área de ESF desenvolvidas a partir da análise críticas das atividades desenvolvidas. Evidenciar, por meio de um projeto de investigação, quais as crenças e atitudes dos enfermeiros face aos cuidados centrados na família, analisar a sua relação, bem como a se existe ligação com variáveis sociodemográficas e profissionais, e identificar crenças que funcionem como obstáculos ou facilitadores dessa abordagem. Metodologia: A análise de indicadores e dados estatísticos configura-se como um instrumento central para a caracterização e contextualização da população abrangida pela USF. Posteriormente, procede-se ao desenvolvimento das competências comuns e específicas do Enfermeiro Especialista em Enfermagem Comunitária, na área de ESF, sustentado numa análise crítico-reflexiva das práticas desenvolvidas ao longo do estágio. O projeto de investigação assenta num estudo de abordagem mista, de natureza descritiva, relacional e transversal, no qual foi aplicada a escala “Importância das Famílias nos Cuidados de Enfermagem – Atitudes dos Enfermeiros”, originalmente criada por Benzein et al. (2008) e posteriormente traduzida e adaptada para versão portuguesa por Oliveira et al. (2011), complementada por três questões abertas, a uma amostra de 49 enfermeiros dos contextos de USF e Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados da Unidade Local de Saúde onde decorreu o estágio. Este teve como objetivo geral analisar a relação entre as crenças e as atitudes dos enfermeiros face aos cuidados centrados na família em contexto de CSP e como objetivos específicos avaliar as atitudes dos enfermeiros dos CSP face aos cuidados centrados na família, analisar a relação entre as atitudes e as variáveis sociodemográficas e profissionais dos enfermeiros de CSP, explorar as crenças dos enfermeiros dos CSP relativamente à família enquanto foco de cuidados e identificar quais crenças são percecionadas como obstáculos e como facilitadores dos cuidados centrados à família, por parte dos enfermeiros de CSP. Resultados: Sobre o relatório, emergem as atividades desenvolvidas para a concretização das competências gerais e específicas do Enfermeiro Especialista em Enfermagem Comunitária na área de ESF, que advêm do percurso desenvolvido ao longo do estágio. Relativamente ao projeto de investigação, a maioria dos participantes é do género feminino, com uma média de idades compreendia em 50,306 anos e tempo de experiência profissional média de 27,796 anos, são licenciados e trabalham em contexto de USF. Não se verificaram associações estatisticamente significativas entre as variáveis sociodemográficas e profissionais e as atitudes observadas na amostra em relação à família enquanto foco de cuidados. Relativamente às crenças dos participantes, foram identificados obstáculos de natureza cultural, familiar, comunicacional e ética, e como estratégias para a sua superação a adoção da prática baseada na evidência e a implementação de uma abordagem holística aos cuidados. Como consequências positivas do uso das crenças na prática clínica, destacam-se: Promoção de boas práticas em saúde; fortalecimento da comunicação e o maior envolvimento da família nos cuidados. Por fim, a conceptualização de família enquanto foco de cuidados foi categorizada em três dimensões: Família como unidade de cuidados, família como recurso e parceira no processo de cuidar e família como fonte de empoderamento. Conclusão: O presente relatório sistematiza o percurso formativo realizado na USF onde decorreu o estágio, sustentado nos objetivos gerais e específicos preconizados, evidenciando o processo de aquisição e consolidação de competências no âmbito da Enfermagem Comunitária na área da ESF. Relativamente ao projeto de investigação, os resultados indicam não existir associação entre as características sociodemográficas e profissionais dos enfermeiros e as atitudes face à família enquanto foco de cuidados. Simultaneamente, demonstram que a presença de crenças e atitudes favoráveis à centralidade da família favorece a adoção de práticas clínicas concordantes com as orientações normativas nacionais e internacionais, promovendo a sua integração efetiva no processo de cuidar. Implicações para a prática clínica: Face às condicionantes identificadas, os achados reforçam a necessidade de investir em estratégias formativas e de suporte à prática que facilitem a integração sistemática da família nos cuidados de enfermagem, bem como na conceção e implementação de instrumentos e indicadores específicos que permitam monitorizar e evidenciar o impacto das crenças e atitudes dos profissionais na qualidade dos cuidados, particularmente no contexto da ESF.
- ATITUDE DOS ENFERMEIROS PERANTE A FAMÍLIA NOS CUIDADOS DE SAÚDEPublication . Travassos, Inês Filipa Freitas; Frade, João Manuel GraçaEnquadramento: A família assume um papel essencial na vida de cada individuo nas diversas fases de vida, sendo a base nos momentos de crise, transição ou no processo de saúde-doença. Os desenvolvimentos da ciência e da profissão de enfermagem tem demonstrado que o enfermeiro deve reconhecer a família como unidade de cuidados e como elemento ativo nesse processo sendo parte integrante dos cuidados de enfermagem. (Oliveira et al,2011). As atitudes dos enfermeiros afetam a disposição de interagir e envolver as famílias nos cuidados em enfermagem e o conhecimento das atitudes dos enfermeiros face à família ajuda-nos a compreender de que forma os enfermeiros contextualizam o individuo e os seus processos de saúde ou doença, no seu contexto familiar (Frade et al, 2021). Benzei et al (2008) definiu determinadas atitudes agrupadas em dimensões podendo ser positivas: (família como parceiro dialogante e recurso de coping e famílias como recurso nos cuidados de enfermagem) ou negativas (família como um fardo). Objetivos: Identificar a importância atribuída à família pelos enfermeiros no processo de cuidar; conhecer as atitudes que os enfermeiros adotam face à importância da família no processo de cuidar e associar as variáveis sociodemográficas e profissionais dos enfermeiros com a prática de cuidados centrados na família. Metodologia: Estudo quantitativo, descritivo, analítico e correlacional que integrou uma amostra de 72 enfermeiros. O instrumento utilizado no questionário constituído por questões sociodemográficas e profissionais e a escala “Importância das Famílias nos Cuidados de Enfermagem-Atitude dos Enfermeiros” (IFCE-AE), validada para a população portuguesa por Oliveira, et al em 2009. Resultados: As atitudes de suporte positivas apresentaram médias superiores à atitude negativa, sendo que na “Família como parceiro dialogante e recurso de coping”, obteve-se uma média de 37,86, na dimensão “Família: recuso nos cuidados de enfermagem” a média foi de 32,68 e na dimensão “Família como um fardo” a média obtida foi de 8,694. As variáveis sociodemográficas e profissionais não são estatisticamente significativas para definir as atitudes dos enfermeiros perante a família, sendo que na sua maioria os valores de p eram superiores a 0,05. Conclusão: De forma geral os enfermeiros apresentam atitudes favoráveis ao envolvimento das famílias nos cuidados de enfermagem e atribuem elevada importância às mesmas no processo de cuidar.
- ADESÃO AO REGIME TERAPÊUTICO EM UTENTES PORTADORES DE DIABETES TIPO2 EM CUIDADOS DE SAÚDE PRIMÁRIOSPublication . Canhoto, Carla Marina Serrenho; Rosa, Paulino GomesPretendeu-se neste relatório demonstrar a aquisição e consolidação da consciência profissional sobre o papel do enfermeiro especialista em Enfermagem Comunitária na área de Enfermagem de Saúde Familiar, assim como as competências adquiridas durante o processo de aprendizagem, visando a obtenção do exercício profissional especializado, durante a frequência dos estágios do curso de mestrado na área referida, numa unidade de saúde familiar. Em consonância com estas competências, definidas em regulamento próprio, foram estabelecidos dois objetivos gerais para o desenvolvimento da componente clínica: cuidar da família, enquanto unidade de cuidados, de cada um dos seus membros, ao longo do ciclo vital, aos diferentes níveis de prevenção, liderar e colaborar nos processos de intervenção no âmbito da enfermagem de saúde familiar. Foi ainda realizado dois processos formativos às enfermeiras da unidade do local de estágio, com a realização da ação de formação sobre “Ciclo vital da família” e “Documentação dos Cuidados, no âmbito da dimensão estrutural, no Programa de Saúde da Família do SClinico®” e com acompanhamento individualizado na documentação dos cuidados, através da supervisão clínica de pares a cada enfermeiro da equipa durante 4 semanas. Constatou-se que os enfermeiros aumentaram os seus conhecimentos, melhoraram a perceção de competência neste âmbito e mudaram as suas práticas na documentação dos cuidados. Realizou-se um estudo académico sobre a adesão ao regime medicamentoso ao utente portador de diabetes tipo 2, no sentido de promover a adesão ao regime terapêutico dos utentes desta unidade. Os objetivos do estudo são conhecer as características sociodemográficas dos utentes da amostra, caracterizar suas atitudes em relação ao regime medicamentoso e relacionar essas características com a adesão terapêutica. A metodologia envolve um estudo quantitativo, descritivo, analítico, correlacional e transversal, com uma amostra não probabilística por conveniência de utentes da unidade de saúde familiar B que são acompanhados nas consultas de diabetes. Os dados foram coletados online, aplicados online, questionários sociodemográficos e pela aplicação da escala de Medida de Adesão Terapêutica validada para a população portuguesa. Os resultados demonstram que a maioria dos utentes seguidos nas consultas de diabetes são idosos, do género feminino com baixa escolaridade e polimedicados. No entanto, existe uma melhoria significativa na adesão ao regime medicamentoso em comparação com outros estudos internacionais. Importa ainda salientar que a conjugalidade, em que ambos são portadores de diabetes mellitus tipo 2, parece contribuir positivamente para a adesão ao tratamento. A conclusão destaca a importância da educação terapêutica, formando subsídios para a prática da enfermagem familiar, promovendo a aquisição e mobilização de conhecimentos e competências resultando na melhoria da literacia em saúde e ganhos para a saúde das famílias e indivíduos. A formação proporciona uma visão mais ampla da saúde, foco na promoção de estilos de vida saudáveis e na prevenção das complicações da diabetes, com o intuito da melhoria da qualidade de vida das famílias e comunidades. Isso complementa o trabalho do enfermeiro de família, que não se limita ao tratamento, mas também à prevenção e à educação em saúde, o que é essencial para intervenções mais eficazes e para o acompanhamento contínuo da saúde dos indivíduos ao longo do ciclo de vida. As atividades desenvolvidas possibilitaram a aquisição de competências específicas do enfermeiro especialista em Enfermagem Comunitária na área de Enfermagem de Saúde Familiar, como a colheita de dados por meio de entrevista familiar sistémica e de instrumentos validados, o desenvolvimento de juízo crítico e da tomada de decisão, o planeamento dos cuidados em negociação com os membros das famílias, a intervenção com recurso a técnicas de intervenção sistémica e a avaliação dos cuidados.
