LIDA - Revista: Escritas : Manifestos
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Escritas : Manifestos principiou, em 2022, por uma colecção de cadernos compilando a tradução de entrevistas e escritos de artista, documentos actualmente em depósito no acervo da biblioteca da ESAD.CR. Nesse mesmo ano lançamos o primeiro caderno com texto original Poesia para uma Revolução (im)possível (fragmentos sobre os tempos múltiplos do Manifesto), de Rodrigo Silva. Em 2025, retomamos estes cadernos que se organizam em duas linhas editoriais: a transcrição e edição de aulas abertas ministradas por convidadas.os e a publicação de textos-manifestos originais redigidos por colegas de variadas áreas de estudo e cursos leccionados pela ESAD.CR.
Documentamos o dinâmico programa de aulas abertas onde se abordam aspetos conceptuais, formais, sociais e históricos das práticas artísticas contemporâneas. O testemunho directo, um discurso complexo e informado, revela-se um instrumento na atualização dos programas formativos e no fortalecimento das relações entre a escola, o meio cultural e profissional.
Coordenação editorial: Isabel Baraona e Miguel Ferrão
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Percorrer LIDA - Revista: Escritas : Manifestos por Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) "12:Produção e Consumo Sustentáveis"
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- ARRISCAR A VIDAPublication . Silva, RodrigoO que pode significar a afirmação arriscar a vida? Que apelo se esconde nessa proferição desassombrada, nessa intimação imperativa? É uma incitação a jogar com a morte ou uma convocação para o viver, para um viver mais amplo e mais pleno? Arriscar a vida, no seu sentido mais imediato, soa e ressoa como uma prova aventurosa: enfrentar a morte e sobreviver. O risco é mortal, ou talvez devêssemos dizer: ser mortal é estar em risco, em risco de morte. São mortais os que estão vivos. A vida é um risco inantecipável e incalculável assumido por nós, os vivos. Expor-se ao perigo é o nosso destino de humanos: somos infinitamente vulneráveis, tidos e mantidos numa frágil trama de interdependências. A vida vivida nunca é neutra: lança-se para o desconhecido dos encontros e dos começos, num instável equilíbrio que busca em cada passo dado encontrar um novo equilíbrio. Será que existe e podemos pensar, alojado no coração da própria vida, um impulso insondável, uma música secreta, um apelo segredado ou uma voz interior, capaz de mudar a existência, de a fazer impelida e insuflada pelo desejo? O que acontece com uma cultura e uma sociedade que persiste em considerar esse risco de viver sem logo o conjurar, sem o tornar um acto transgressivo, pura loucura, comportamento desviante que rompe os conformismos e as conformações aos modelos e às lógicas da reprodução social? [...]
- UM CINEMA SEM NOMEPublication . Dias, Inês SapetaVenho falar-vos de um cinema que tem um nome escorregadio, volátil, variável, que não corresponde a uma filmografia estudada ou fixa. Não é uma categoria bem definida pela história do cinema, até poderíamos perguntar se faz parte da história do cinema. Por isso começo por vos mostrar imagens. Até porque foi assim que entrei em contacto com estes filmes – filmes de família? cinema vernacular? cinema caseiro, doméstico? Comecei directamente pelas imagens, não pelos conceitos, não pela teoria. E vou ler-vos um texto ao mesmo tempo, que não fala de cinema, e muito menos de cinema amador ou de filmes de família, mas que, para mim, expressa o interesse que encontrei neste cinema e o espanto que senti quando o vi pela primeira vez.
- Conversas Infinitas: A curadoria como uma narrativa de relaçõesPublication . Franco, OrlandoEscrevo a partir de um lugar híbrido, conscientemente instável, entre o trabalho enquanto artista visual, o artista-professor e prática da curadoria. Na ausência de melhor definição, este lugar tem o nome de artista-curador. Contudo, coexiste com posições próximas como artista/curador e a de curador independente, que se entende enquanto prática não regular e não dependente de uma instituição. Esta publicação reúne seis textos curatoriais acompanhados pela documentação visual das respetivas exposições, que decorreram entre 2019 e 2025 em várias instituições do território português, nomeadamente, Museu Coleção Berardo — Centro Cultural de Belém (atual MAC-CCB), Lisboa, Espaço.Arte em Campo Maior, Centro Cultural de Lagos, Banco das Artes em Leiria, Biblioteca de Marvila e galeria Braço Perna, ambas em Lisboa. Este conjunto de exposições, por mim organizadas, reflete sobre uma parte do meu projeto de doutoramento1 e funciona como um campo de reflexão prática sobre essa condição “entre”, onde a curadoria pode surgir como uma derivação direta do ato artístico.
- CULTURAL DETOXPublication . Matoso, RuiPara esta edição dos cadernos Escrita Manifesto, compilámos um conjunto de exercícios realizados por estudantes da Licenciatura em Programação e Produção Cultural. A seleção dos trabalhos reflete a diversidade de linhas de investigação e perspetivas acerca das interações complexas entre políticas e práticas culturais, evidenciando a pluralidade de abordagens no campo da gestão cultural, em sentindo amplo.
- Efeito MarionetaPublication . Jesus, IgorEm 2015, apresentei em Paris, na exposição coletiva Le lynx ne connaît pas de frontières, comissariada por Joana Neves na Fondation d’entreprise Pernod Ricard, um vídeo intitulado O Meu Pai Morreu no Ano em que eu Nasci (2014), produzido enquanto ainda era aluno de escultura nas Belas-Artes de Lisboa. O vídeo refere-se ao facto do meu pai ter morrido um mês antes de eu nascer, razão pela qual nunca existiu a possibilidade de estabelecermos um diálogo. Nessa altura estava muito interessado num “efeito marioneta”, ou seja, numa substância ou matéria física que pudesse ser controlada por uma substância ou energia espectral. A minha ideia passava por viabilizar esse diálogo, o que implicava que me cruzasse com o meu pai no mesmo espaço. Procurei uma série de médiuns que aceitassem ser filmados e que alegavam ter a capacidade de o proporcionar, possibilidade que encarei com algum ceticismo — o meu trabalho funciona sempre entre o ceticismo e a credulidade. Uma das pessoas que encontrei dizia que conseguia fazer descer o meu pai e incorporá-lo para que esse diálogo se iniciasse. O que vemos no vídeo é a médium a contorcer-se, o meu pai desce e o diálogo não se chega a iniciar. Isso manifesta-se através das velas colocadas entre mim e a médium, que se apagam quando o meu pai desce, deixando-nos novamente às escuras.
- Os livros das imagensPublication . Marmeleira, José
- PRODUZIR PRESENÇA...Publication . Anacleto, Ana
- SortePublication . Gaeta, AntoniaVenho1 falar-vos de sorte. Vou fazê-lo através do meu percurso de trabalho e do meu percurso de vida pessoal também. Vou ler-vos bastante e dar-me a conhecer através de textos que escrevi para exposições e para outros artistas, para curadorias, para revistas, entre outros.
- Última Lição - Leonor Fini, o retrato impossível de uma artista do século XXPublication . Luísa Soares de Oliveira
- UNIVERSOS PARALELOSPublication . Policarpo, DianaNuma seleção de projetos há sempre uma ligação que se estabelece entre eles. Falaremos hoje de quatro projetos que concretizei recentemente: Death Grip (2019), Nets of Hyphae (2021-22), Ciguatera (2022-25) e Mutual Benefits (2024). Estes são universos e interesses que, pelo menos para mim, se tocam e crescem uns para os outros. Eu trabalho de uma forma muito experimental. O meu trajeto começou com uma educação musical inicial que me levou a trabalhar o som e a instalá-lo. Comecei com esse tipo de instalações, embora o meu interesse de base seja a escultura (ainda hoje faço escultura). É uma grande paixão que tenho. Isso revela-se em diversos projetos recentes, onde voltei a esculpir à mão. Os projetos de que aqui falaremos têm em comum uma transversalidade de certos elementos que gosto de trabalhar, entre eles a espacialização sonora, o filme multicanal e o desenho que, conceptual e esteticamente, se cruzam na busca por coisas novas, tal como as colaborações, que fazem com que diferentes modos de fazer entrem em contacto, o que eu acho muito prazeroso. A minha prática é colaborativa.
