ESECS - Mestrado em Educação e Inovação Pedagógica
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Percorrer ESECS - Mestrado em Educação e Inovação Pedagógica por Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) "04:Educação de Qualidade"
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- A perceção dos professores guineenses sobre a importância da língua portuguesa para o sucesso académico e profissional na Guiné- BissauPublication . Sanhá, Anastácio Fernandes; Barreto, Maria Antónia Belchior Ferreira; Barbeiro, Luís Filipe TomásEste trabalho investiga a perceção de professores guineenses sobre a relevância da língua portuguesa para o sucesso académico e profissional na Guiné-Bissau, destacando o seu papel na formação identitária, educativa e socioeconómica do país. De caráter qualitativo, a investigação baseou-se em entrevistas semiestruturadas realizadas a oito docentes guineenses de diferentes níveis de ensino, uns encontram-se em Portugal, não obstante, outros a viver na Guiné-Bissau, visando compreender como o domínio do português influencia as trajetórias escolares e as perspetivas profissionais dos estudantes.O estudo analisa a língua enquanto pilar do desenvolvimento, abordando conceitos como língua materna, segunda, nacional e oficial, e sublinhando a adoção histórica do português como língua oficial. Evidencia-se a sua função estratégica e os desafios decorrentes da diversidade linguística, sobretudo a influência do crioulo e das línguas étnicas no processo educativo. Apresenta-se ainda o panorama linguístico guineense, caracterizado pela coexistência do português com várias línguas nacionais e pela centralidade do crioulo como língua de comunicação quotidiana, embora não oficial. Discutem-se os efeitos das políticas coloniais, as dificuldades na implementação de alternativas linguísticas de ensino e a instabilidade sociopolítica que condiciona práticas educativas. No que respeita à formação docente, identificam-se lacunas significativas na preparação inicial e contínua, carência de recursos, insuficiente adoção de metodologias inovadoras e impacto dos contextos sociolinguísticos na prática pedagógica. Os professores reconhecem a centralidade do português para o êxito académico, a inserção profissional e a identidade nacional, mas destacam dificuldades ligadas a interferências linguísticas, falta de formação e ausência de políticas bilíngues eficazes. Conclui-se que o fortalecimento do ensino do português é indispensável para promover inclusão social e desenvolvimento económico, exigindo políticas educativas integradas, valorização das línguas locais como apoio pedagógico e reforço da formação docente. Recomenda-se ainda a realização de estudos futuros que integrem outros atores educativos e a análise de políticas públicas com vista a práticas mais equitativas e inclusivas.
- AS CRIANÇAS DEVEM SER OUVIDAS - ESTUDO SOBRE A PARTICIPAÇÃO ATIVA DAS CRIANÇAS DO 1.º CICLO NUM PROJETO ESCOLAR - UMA ESCOLA DA REGIÃO DE LEIRIAPublication . Henriques, Sara Margarida Rufino Santos; Santos, Maria João Sousa Pinto dosEsta investigação surge da prática profissional em Escola Pública do 1.º Ciclo do Ensino Básico (1.º CEB) com a valência do Pré-escolar, onde se observa um empenho da Comunidade Local em fazer parte do processo educativo das crianças. A motivação para a realização deste estudo surgiu do facto de na minha prática profissional, enquanto professora do 1.º CEB, verificar que a Escola tem uma forte relação com a comunidade local. Um grupo de pais e encarregados de educação criou em 2018 uma Associação, para desenvolver atividades e atrair crianças das zonas periféricas, com o objetivo de garantir o número mínimo de alunos para manter a escola em funcionamento. Neste sentido, a comunidade local, participa de forma ativa com a comunidade educativa em diferentes atividades dentro e fora da escola. Esta investigação tem por objetivo perceber de que forma a participação ativa das crianças na elaboração do projeto a desenvolver com a comunidade, tem impacto no seu desenvolvimento psicossocial e se as crianças apresentam um maior envolvimento nas atividades escolhidas por elas. Este trabalho é inspirado no documento Ouvir – Agir – Mudar - Manual do Conselho da Europa sobre a participação das crianças do Conselho da Europa (CoE) (Crowley, et al. 2023) e no artigo 12.º da Convenção dos Direitos da Criança (UNICEF, C. P. 2019). Esta Intervenção Pedagógica foi desenvolvida com alunos dos 7 aos 9 anos de idade do 2.º e 3.º anos de escolaridade do 1.º CEB num Agrupamento de Escolas de Leiria. O projeto foi desenvolvido de outubro de 2023 a fevereiro de 2024. Para a recolha de dados na investigação recorreu-se, para a definição do projeto ao Diário de Bordo e ao Focus Group e Inquéritos por Questionário para perceber o impacto do projeto nas crianças. A Intervenção Pedagógica culminou na montagem de uma Biblioteca Comunitária dentro do Café da Aldeia, onde está situada a escola. Os resultados da pesquisa revelam a compreensão do impacto da participação ativa das crianças na definição do projeto para: o seu envolvimento nas tarefas, a concretização e conclusão das mesmas através de uma atitude de compromisso com a atividade proposta e para o desenvolvimento psicossocial e cívico, através da perceção que as criança, os professores e a comunidade têm na aquisição das atividades e valores, como a colaboração e o respeito pelos outros e para o aumento do senso de responsabilidade na concretização de projetos.
- Espaços com Voz: A Agência das Crianças, Famílias e Comunidade Educativa na Transformação do Espaço Exterior do Jardim de InfânciaPublication . Inácio, Rui Pedro Lourenço; Oliveira, Luís Miguel Gonçalves deO presente estudo teve como objetivo acompanhar a transformação do espaço exterior de um Jardim de Infância, procurando criar um cenário de fruição e de aprendizagens significativas por meio de um processo participativo e colaborativo. Centrada na questão-problema “Como transformar e otimizar o espaço exterior de um Jardim de Infância, com a participação ativa das crianças, famílias e comunidade, de modo a criar um ambiente de bem-estar, de exploração e de aprendizagens significativas?” a investigação propõe explorar as necessidades, os interesses e as expectativas dos diferentes intervenientes, com vista a coconstruir um ambiente educativo mais rico, inclusivo e promotor do desenvolvimento e de aprendizagens. A requalificação do espaço foi entendida não apenas como uma ação física, mas como um processo pedagógico, social e relacional, marcado pela intencionalidade educativa e pela escuta ativa das crianças. Definiu-se o projeto de intervenção como “Vozes que Transformam”. As crianças desempenharam um papel central, sendo envolvidas desde o diagnóstico até à planificação e intervenção no espaço, exercendo a sua agência e protagonismo. A participação das famílias e da comunidade revelou-se determinante na consolidação da relação escola-família-comunidade, contribuindo para a valorização do espaço exterior enquanto contexto educativo. Inserido no paradigma interpretativista e sustentado na metodologia da Investigação-Ação, o estudo privilegiou uma abordagem qualitativa, recorrendo a técnicas como observação participante, entrevistas semiestruturadas, grupos focais e análise documental. Esta opção metodológica procurou compreender os significados atribuídos à vivência do espaço exterior, valorizando a perspetiva dos intervenientes e permitindo uma intervenção situada e reflexiva. A investigação assumiu, assim, um compromisso com a transformação da realidade, promovendo uma melhoria efetiva das práticas educativas e do contexto em análise. O diagnóstico inicial revelou fragilidades ao nível da segurança, da atratividade e das oportunidades que proporcionava. No entanto, evidenciou também potencialidades, como áreas naturais subvalorizadas, que foram otimizadas para acolher brincadeiras diversificadas, a interação social e o contacto com a natureza. A intervenção culminou num espaço exterior mais estruturado, acessível e, esteticamente, mais cuidado, potenciador de aprendizagens integradas e do desenvolvimento holístico das crianças. Os resultados mostram que o espaço exterior, quando concebido de forma participada, se constitui como um terceiro educador, estimulando a autonomia, a criatividade e a construção de conhecimento em interação com os outros e com o meio. Conclui-se, assim, que transformar o espaço exterior é promover um processo educativo e social intencional, capaz de fomentar aprendizagens significativas, fortalecer vínculos e consolidar práticas educativas enraizadas na participação, na escuta e no respeito pela criança.
- Literacia crítica para a paz nos clubes escolares: O caso dos clubes UbuntuPublication . Guerra, Paula Andrea Duarte; Menezes, Catarina Maria Nogueira Marques da Cruz; Gamboa, Maria José Nascimento SilvaUm espaço digital cada vez mais veloz e omnipresente introduz oportunidades, mas também desafios, relacionados com a necessidade de minimizar a vulnerabilidade dos cidadãos a fenómenos como a propagação de desinformação ou os discursos de ódio, que podem ser contrários à paz. A educação precisa de assumir esse papel, implementando práticas pedagógicas promotoras de literacia, que apelem à agência de professores e alunos no exercício de reflexão e desconstrução dos discursos que circulam e de uma comunicação em prol da paz e da justiça social. Esta literacia crítica para a paz pode servir-se das ferramentas da literacia para os media e da literacia social e desenvolver-se a partir de modelos pedagógicos inovadores, como podem ser os clubes escolares. Esta investigação procura compreender que contributo dão os clubes Ubuntu nesse sentido. Assente numa metodologia qualitativa, desenvolve-se um estudo de caso, que concilia observação, grupos de foco e entrevistas. Da análise de três clubes Ubuntu, verifica-se que recorrem a práticas que se enquadram nas orientações da literacia para a paz, sobretudo ao nível da sua componente interventiva. Ao nível da componente reflexiva foram identificadas oportunidades de desenvolvimento, deixando-se sugestões relativas a uma maior integração de atividades intencionalmente direcionadas para uma interação crítica com os media, bem como à implementação de medidas de avaliação de impacto das ações dos clubes, que promovam a sua eficácia, a motivação dos seus membros e apoiem a sustentabilidade da componente interventiva a longo prazo.
- Sala de Aula Invertida no ensino da Geografia (9.º ano): um estudo de caso múltiploPublication . Santos, Sónia Cristina Dionísio; Pinto, Hélia Gonçalves; Dias, Maria Isabel Pinto SimõesA inovação pedagógica, enquanto vetor do envolvimento ativo dos alunos em sala de aula, implica mudanças qualitativas nas práticas pedagógicas. As metodologias tradicionais, centradas no professor transmissor de conhecimentos e em alunos com um papel predominantemente passivo, já não são suficientes para garantir uma aprendizagem com sucesso para todos. É necessário diversificar metodologias para abrir novas janelas de oportunidade de aprendizagem. A Sala de Aula Invertida surge como uma proposta metodológica na qual a aula passa a ser um espaço privilegiado de reflexão, de trabalho colaborativo, de resolução de desafios/ atividades, de construção de conhecimento e desenvolvimento de capacidades. Nesta metodologia assume-se que o professor: (i) coloca os alunos a refletir, em casa, sobre os conteúdos teóricos e (ii) coloca os alunos a aplicar esses mesmos conteúdos na sala de aula. Invertendo os métodos tradicionais, os alunos passam a estudar e a explorar os conteúdos teóricos em espaços externos à sala de aula, enquanto a sala de aula passa a ser o espaço privilegiado para praticar, resolver desafios, opinar criticamente, expor dúvidas e dificuldades e receber feedback individualizado. É neste contexto que surge o presente estudo que visa perceber as potencialidades e limitações da metodologia de Sala de Aula Invertida no ensino da Geografia (9.º ano). Optando-se pelo paradigma interpretativo com design de estudo de caso múltiplo, realizaram-se três estudos de caso. A recolha de dados recorreu à observação participante, à análise documental e à entrevista em grupo focal. Os resultados do estudo permitiram analisar a trajetória dosalunos na Sala de Aula Invertida e concluir que todos desenvolveram a autonomia, a comunicação/interação e adquiriram aprendizagens essenciais da Geografia, nas suas várias vertentes: conhecimento, capacidades e atitudes. Dois dos alunos revelaram resistência face às tarefas para casa e insegurança face às aprendizagens autónomas. Estes resultados sugerem a eficácia da Sala de Aula Invertida no ensino e aprendizagem da Geografia no 9.º ano de escolaridade.
- Sucesso académico e riscos no ensino superiorPublication . Silva, Jenito José Ocante da; Milhano, Sandrina Diniz Fernandes; Barreto, Maria Antónia Belchior FerreiraO presente estudo analisa os diferentes fatores que influenciam o sucesso académico dos estudantes guineenses no ensino superior em Portugal. Em concordância com os nossos objetivos, desenvolvemos um estudo de cariz qualitativo, com 4 participantes, de ambos os sexos, a frequentar uma instituição do ensino superior em Portugal. Este estudo evidencia que os estudantes enfrentam um conjunto de dificuldades estruturais e pessoais que afetam diretamente o seu percurso, nomeadamente, as limitações económicas, a necessidade de conciliar o estudo com o trabalho, as barreiras linguísticas e culturais, bem como episódios de discriminação e isolamento social. Estes elementos, em conjunto com a adaptação a um sistema de ensino mais exigente e tecnologicamente mais avançado, representam riscos significativos para a sua permanência no país de acolhimento e para o seu desempenho académico. Apesar destes obstáculos, o estudo revela, também, a existência de mecanismos de resiliência que permitem aos estudantes superar adversidades e prosseguir os seus objetivos. A motivação pessoal, o apoio emocional e financeiro da família, o apoio dos colegas, dos docentes e de algumas redes institucionais surgem como fatores decisivos na sua integração académica e social. Além disso, muitos estudantes reconhecem no ensino português vantagens pedagógicas, nomeadamente a valorização do pensamento crítico e o acesso a recursos tecnológicos, que se revelam oportunidades de desenvolvimento pessoal e profissional, ou seja, o estudo revela que o sucesso académico destes jovens não se reduz ao esforço individual, mas resulta da interação entre fatores pessoais, sociais, institucionais e estruturais. O estudo sublinha, ainda, a necessidade de políticas de apoio mais consistentes, capazes de reduzir as desigualdades e promover condições de acolhimento e integração. Da mesma forma, recomenda-se, o fortalecimento de medidas financeiras, nomeadamente do país de origem, programas de tutoria e orientação, ações de formação intercultural e a dinamização de redes de apoio entre pares.
