ESTM - Mestrado em Biotecnologia dos Recursos Marinhos
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Percorrer ESTM - Mestrado em Biotecnologia dos Recursos Marinhos por Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) "08:Trabalho Digno e Crescimento Económico"
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- Estudo comparativo do perfil químico e das bioatividades de três macroalgas marinhas em diferentes contextos ecológicosPublication . Matias, Margarida Henriques; Mouga, Teresa Margarida Lopes da Silva; Afonso, Clélia Paulete Correia NevesEsta dissertação teve como principal objetivo comparar três espécies de macroalgas – Gracilaria gracilis, Sargassum muticum e Ulva sp. – colhidas em épocas distintas do ano e em locais distintos da costa portuguesa, através da caraterização do perfil bioquímico e das bioatividades (antimicrobianas, antioxidantes e bioestimulantes). A caraterização ecológica dos locais demonstrou condições ambientais contrastantes: a Figueira da Foz apresenta forte influência marítima e alguma fluvial, com águas relativamente frias; a Lagoa de Óbidos é marcada por águas calmas e elevada variabilidade físico-química; e Peniche carateriza-se pelas praias rochosas, sujeitas a forte agitação marítima. Estas diferenças refletem-se sobretudo na salinidade e no oxigénio dissolvido, condicionando a fisiologia e a composição bioquímica das algas. Em diferentes análises observaram-se diferenças significativas entre espécies e também entre locais, enquanto a sazonalidade mostrou menor impacto nos resultados. Os resultados mostraram que o teor de humidade é superior nas amostras colhidas em setembro/novembro, indicando um efeito sazonal. No teor de cinzas, G. gracilis possui os teores mais baixos, sem diferenças significativas entre épocas e locais. Quanto ao conteúdo mineral, destaca-se o cálcio, variando entre 1,91 e 17,91 mg/g, enquanto o arsénio excede os limites regulamentados, em todas as amostras. Além disso, a G. gracilis apresentou o maior teor de hidratos de carbono, enquanto o teor proteico variou entre espécies, com a Ulva sp. de Buarcos de março (UBM) a obter o valor máximo (4,78%). Relativamente à matéria gorda total, a Ulva sp., registou o valor mais baixo (0,52%), enquanto o S. muticum apresentou o valor máximo (3,23%), exibindo predominantemente ácido palmítico (C16:0) e ácido oleico (C18:1 n9 cis). O rácio ómega-6/ómega-3, por sua vez, é superior a 1 nas amostras de S. muticum (entre 1,9 e 2,73) e maioritariamente inferior a 1 na Ulva sp., exceto na UBM. Na análise dos pigmentos fotossintéticos, a clorofila a é o pigmento mais abundante, atingindo 8,45 mg/g em S. muticum. Adicionalmente, a fucoxantina variou entre 0,77 e 1,87 mg/g em S. muticum e a ficoeritrina-R oscilou entre 0,047 e 0,549 mg/g em G. gracilis. Também se verificou que a abundância de pigmentos é fortemente influenciada pelo local de recolha. Os extratos hidroetanólicos não exibiram atividade antimicrobiana relevante, mas demonstraram forte atividade antioxidante, destacando-se a UBM (93,85% de inibição no DPPH e 564,16 μmol Fe/g no FRAP). No QTP, por sua vez, destacou-se o S. muticum de Óbidos em março, com uma concentração de 38,42 mg GAE/g. As frações residuais dos extratos revelaram um elevado potencial bioestimulante nas sementes de alface e tomate, sendo que, relativamente ao crescimento, destaca-se a Ulva sp.. Estas descobertas evidenciam que a composição bioquímica e as bioatividades das espécies em estudo são influenciadas pela espécie, pelo local e pela sazonalidade, realçando o seu potencial como recursos de valor acrescentado na área nutricional, agronómico e biotecnológico.
- Sustentabilidade & Sabor: Explorando o Potencial da Bolota e dos Recursos Marinhos na Produção de Bebidas Vegetais Funcionais e InovadorasPublication . Godinho, Daniela Alexandra Santos; Bernardino, Raúl José Silvério; Bernardino, Susana Maria da Silva Agostinho; Afonso, Clélia Paulete Correia NevesA bolota, fruto de diferentes espécies do género Quercus, tem sido historicamente subvalorizada na alimentação humana, em grande parte devido à sua associação a períodos de escassez, apesar do seu reconhecido potencial nutricional e funcional. Este trabalho teve como objetivos caracterizar o perfil nutricional e funcional de três espécies (Quercus robur, Quercus suber e Quercus rotundifolia), explorar a sua aplicação no desenvolvimento de novos produtos alimentares e avaliar o impacto do alginato na estabilidade e tempo de prateleira da bebida vegetal desenvolvida. A caracterização revelou diferenças significativas entre espécies: Q. rotundifolia destacou-se pelo seu elevado teor lipídico, Q. suber pela maior riqueza mineral, e Q. robur pela sua capacidade antioxidante, confirmando a influência de fatores intrínsecos e ambientais na composição da matéria-prima. Na formulação da bebida vegetal de bolota, foi possível desenvolver um produto sensorialmente neutro, estável durante 63 dias de armazenamento refrigerado e com perfil nutricional caracterizado por baixo valor energético (27 kcal/100 mL), teor lipídico moderado (2,10 g/100 mL, maioritariamente composto por ácidos gordos monoinsaturados) e reduzido teor proteico (0,35 g/100 mL). A adição do alginato revelou-se fundamental para a estabilidade física, prevenindo a separação de fases, além de contribuir para uma maior manutenção da atividade antioxidante ao longo do tempo. Do ponto de vista microbiológico, o tratamento térmico aplicado (90ºC/5 min) mostrou-se eficaz, assegurando a segurança do produto durante todo o armazenamento. No caso do pudim de bolota, a adaptação da receita tradicional originou uma sobremesa sensorialmente bem aceite e com composição nutricional comparável à de pudins comerciais (268 kcal/100 g; 4,51 g lípidos/100 g; 52,96 g hidratos de carbono/100 g; 3,81 g proteína/100 g). O sabor destacou-se como o atributo mais valorizado, reforçando o potencial da bolota para aplicação em sobremesas. De forma global, os resultados obtidos confirmam que a bolota é uma matéria-prima com elevado potencial de valorização para o setor alimentar, permitindo o desenvolvimento de produtos diferenciados, nutricionalmente interessantes e sustentáveis. O uso de alginato demonstrou uma elevada relevância, não só pela contribuição para a estabilidade tecnológica da bebida, mas também pelo impacto positivo na preservação da sua atividade antioxidante.
