ESSLei - Revista Portuguesa de Terapia Ocupacional (RPTO), N.º 2
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- Teleterapia em Terapia Ocupacional: Uma breve revisão da literaturaPublication . Santos, Ana Carolina; Madeira, Inês; Pacheco, Sara; Charters, Teresa; Moreira, Nuno; Figueiredo, Marta; Santos, Alice; Jane, Anabela; João, Filipa; Festa, Isabel; Marcelino, Joana; Teodoro, Joana; Passinhas, Lara; Simões, Leonor; Aroeira, Mariana; Albuquerque, Miguel; Otero, PalomaIntrodução: Em Terapia Ocupacional, a telessaúde pode ser usada para avaliação, intervenção, monitorização, supervisão e consultoria entre o terapeuta, utente e/ou instituição de saúde local, consoante os regulamentos e políticas jurisdicionais, institucionais e profissionais que regem a prática da mesma. Através da telessaúde, os serviços de Terapia Ocupacional podem ser prestados à distância de forma síncrona e/ou assíncrona, permitindo intervir no ambiente dos clientes, segundo as necessidades e objetivos terapêuticos de cada um; Objetivo: Compreender o impacto da teleterapia na prática da Terapia Ocupacional; Métodos: Nesta revisão da literatura, foram utilizadas as seguintes expressões de pesquisa: “Occupational therapy” AND (“Teletherapy” OR “Telehealth”) juntamente com os seguintes temas: “School Based”, “Pediatrics”, “Early Intervention”, “Mental Health”, “Elderly”, “Older Adults”, “Rehabilitation”; Resultados: Na revisão foram incluídos dez artigos. Os artigos selecionados, abordam essencialmente quatro áreas de intervenção da Terapia Ocupacional. Através desta pesquisa, foi identificado um conjunto de benefícios e limitações desta metodologia em cada uma das áreas; Conclusão: Este é considerado um tema ainda emergente, especialmente quando se considera o uso de tecnologia em Terapia Ocupacional. Apesar dos desafios que esta apresenta, foi possível concluir que, se bem estruturada, a telessaúde é benéfica para os clientes, permitindo a abordagem no contexto da pessoa.
- Tecnologia, ocupação e sentido: desafios contemporâneos da Terapia OcupacionalPublication . Rodrigues, Marco; Gomes, Maria Dulce; Ribeiro, JaimeIntrodução: A incorporação crescente de tecnologias digitais na reabilitação tem vindo a transformar práticas clínicas, modelos de intervenção e formas de envolvimento das pessoas nos cuidados de saúde. Na Terapia Ocupacional, estas mudanças colocam novas oportunidades, mas também desafios conceptuais, éticos e profissionais, exigindo uma reflexão crítica sobre o lugar da tecnologia na intervenção centrada na ocupação. Objetivos: O presente trabalho tem como objetivo refletir sobre o papel da tecnologia na Terapia Ocupacional contemporânea, analisando o seu contributo na reabilitação física e cognitiva, no uso de tecnologias de apoio, da realidade virtual e da fabricação digital, bem como as suas implicações para uma prática verdadeiramente centrada na pessoa. Métodos: Foi realizada uma reflexão crítica sustentada por uma breve revisão narrativa da literatura científica recente, com foco nas aplicações de tecnologias digitais em diferentes contextos da Terapia Ocupacional. Resultados: A literatura evidencia que as tecnologias digitais podem potenciar a motivação, o envolvimento e a personalização das intervenções, quando integradas de forma criteriosa. Simultaneamente, identificam-se limitações relacionadas com a heterogeneidade metodológica, acessibilidade, custos e riscos de uma utilização acrítica, especialmente quando a tecnologia se sobrepõe ao significado ocupacional. Conclusões: Conclui-se que a tecnologia deve ser entendida como um meio ao serviço da intervenção e da ocupação, e não como um fim em si mesma. O seu valor terapêutico depende da integração ética, crítica e contextualizada na prática da Terapia Ocupacional.
- Qualidade e Estilo de Vida em indivíduos com doença de Parkinson: Estudo comparativo entre indivíduos com diagnóstico precoce e tardioPublication . Rocha, Patrícia Castro; Fernandes, ÂngelaIntrodução: A doença de Parkinson é uma doença complexa, progressiva e neurodegenerativa, sendo que a idade em que é realizado o diagnóstico tem um grande impacto e importância no estilo de vida dos indivíduos com doença de Parkinson e, consequentemente, na forma de progressão da doença (1).Objetivo: Analisar as diferenças do estilo de vida e da qualidade de vida de dois grupos de indivíduos com doença de Parkinson, um de início jovem e outro de início tardio. Métodos:Realizou-se um estudo quantitativo, observacional, analítico e transversal, com uma amostra de 55 participantes. Foi aplicado um questionário sociodemográfico e três instrumentos de avaliação standartizados como a Escala de Hoehn e Yahr, Estilo de Vida Fantástico e o Questionário da Qualidade de vida na doença de Parkinson (PDQ-39). Os participantes foram divididos em dois grupos, o grupo com diagnóstico precoce (n=13) e o grupo com diagnóstico tardio (n=42).A análise estatística foi realizada no programa Statistical Package for the Social Science (SPSS).Resultados: Verificaram-se diferenças estatisticamente significativas entre os dois grupos na variável Alimentação e no domínio da Mobilidade correspondente ao PDQ-39 (p<0.05). Contudo, pela estatística descritiva foi possível compreender que as variáveis Sono, Atividade Física e Scores dos instrumentos de avaliação apresentam melhores médias no grupo com diagnóstico precoce. Adicionalmente, verificou-se uma correlação entre a idade e a qualidade de vida. Conclusões: Os indivíduos com doença de Parkinson de início jovem apresentam uma melhor qualidade de vida em relação aos indivíduos com doença de Parkinson de início tardio.
- A importância do Projeto Terceira (C)Idade da Organização Médicos do Mundo na qualidade de vida: A perceção de três idososPublication . Rodrigues, Ana Beatriz do Nascimento; Martins, Andreia Martins; Sousa, Micaela Ferreira de; Moura, Sara Juliana Ferreira; Teixeira, Liliana da ConceiçãoIntrodução Com o aumento da percentagem de população envelhecida, torna-se necessário dar mais importância e promover oportunidades que melhorem a qualidade de vida dos idosos; Objetivos Com o presente estudo, pretendeu-se averiguar a perceção de três idosos relativamente à importância do Projeto Terceira (C)Idade da Médicos do Mundo, na promoção da sua qualidade de vida; Métodos Este é um estudo qualitativo que inclui uma amostra não probabilística constituída por três integrantes no Projeto Terceira (C)Idade, tendo sido conduzida uma entrevista semiestruturada aos mesmos como método de recolha de dados; Resultados Após a análise do conteúdo obtido, verificou-se que a Médicos do Mundo tem fornecido a ajuda que os idosos necessitam, principalmente, no que se refere à prestação social e de saúde, bem como, à promoção de relações sociais; Conclusões O Projeto Terceira (C)Idade revelou ter um papel importante na melhoria da qualidade de vida da maioria dos participantes.
- Avaliação e intervenção nas Perturbações do Estado de Consciência em PortugalPublication . Soares, Ana Beatriz; Gaspar, Ana Catarina; Silva, Andreia Dias da; Teixeira, Liliana da ConceiçãoIntrodução: As perturbações de estado de consciência podem ser classificadas como coma, estado vegetativo ou estado de consciência mínima. Determinar o diagnóstico correto é de extrema importância de modo a definir o tipo de tratamento mais adequado à situação de cada cliente, bem como melhorar a gestão do caso e respetiva referenciação para a unidade de cuidados mais indicada; Objetivos: Compreender quais os métodos de avaliação e de intervenção utilizados pelos profissionais de saúde em casos de indivíduos em estado vegetativo e estado de consciência mínima, na população portuguesa; Métodos: O presente estudo é observacional descritivo com uma metodologia quantitativa. A seleção da amostra foi intencional, correspondendo a profissionais de saúde das áreas de Terapia Ocupacional, Terapia da Fala, Psicologia, Fisioterapia, Medicina e Enfermagem que trabalham ou tenham trabalhado com indivíduos com este quadro patológico. O instrumento utilizado foi um questionário desenvolvido pelas autoras; Resultados: Foram eleitos 47 participantes. Ao nível da avaliação, verificou-se que a Glasgow Outcome Scale é/foi a mais utilizada por 66.0% dos participantes. Constatou-se que 25.5% dos participantes não recorrem a métodos de avaliação. Quanto ao tratamento, os posicionamentos, o tratamento farmacológico e as mobilizações corresponderam aos tipos de tratamento mais mencionados; Conclusões: A avaliação realizada pelos profissionais de saúde em Portugal não está de acordo com as guidelines internacionais, evidenciando-se a necessidade de tradução e validação de instrumentos. Ao nível do tratamento, verificou-se que apesar do esforço por parte dos profissionais, este fica aquém do que está descrito nas guidelines internacionais e devia ser melhorado.
- PermaneSer nos cuidados à pessoa: uma abordagem da Terapia Ocupacional nos Cuidados PaliativosPublication . Fragoso, Maria Carlota; Silva, Cristina Vieira daIntrodução: Atualmente vivem cerca de 46 milhões de pessoas com demência em todo o mundo e em Portugal estima-se que cerca de 5% das pessoas com mais de 65 anos e 32% das pessoas com mais de 85 anos têm um diagnóstico de demência, sendo mais prevalente em mulheres. O papel do terapeuta ocupacional, numa abordagem paliativa direcionada para pessoas com demência, centra-se na manutenção da dignidade humana com a promoção do envolvimento em ocupações significativas e capacitação dos cuidadores para o processo de cuidar. Objetivo: Espelhar a abordagem da Terapia Ocupacional com uma mulher com 94 anos, diagnosticada com doença de Alzheimer em estadio avançado e a viver numa estrutura residencial para pessoas com demência. Métodos: Estudo de caso clínico com raciocínio terapêutico suportado na 5ª edição do Modelo de Ocupação Humana. Resultados: Na avaliação foi apurado uma participação ocupacional muito reduzida e um ambiente pouco suportante. Em resposta a uma intervenção com recurso a estimulação multissensorial, com criação de ambientes com estímulos de acordo com os interesses, envolvimento em atividades de interesse e capacitação das cuidadoras formais, verificou-se um aumento dos sinais de bem-estar. Conclusões: A abordagem centrada na pessoa e no ambiente, resgatando a identidade e criando oportunidades de envolvimento, permitem que a vida não perca sentido mesmo quando a pessoa apresenta grandes limitações inerentes ao estadio avançado da doença de Alzheimer.
- Narrativas digitais: contar histórias, retratar vidas, empoderar pessoasPublication . Martins, Vanda; Martins, Sílvia; Moreira, NunoHá muito se reconhece que contar a história de vida é um veículo poderoso para a reflexão e ação terapêutica. Com a tecnologia moderna, nasce a narrativa digital - um método participativo inovador na criação de produtos multimédia que expressam uma história, evento de vida significativo ou pontos de viragem. No âmbito do curso de licenciatura em terapia ocupacional da ESSAlcoitão os estudantes são desafiados a explorar este método. Após reflexão em grupo, foram dados aos estudantes um guião e tempo para explorarem esta metodologia, criando a sua própria narrativa digital. Foi uma experiência emocionalmente exigente. A escolha dos elementos que a compunham foi variando conforme as emoções vividas: nuns foi célere, noutros exigiu distanciamento. Na partilha da narrativa com a turma viveu-se uma conexão intensa, constituindo uma experiência catártica e transformativa. O contacto anterior com a narrativa levou a que se declarasse como uma metodologia privilegiada na prática profissional com população em situação de sem abrigo. A construção de narrativas com esta população criou meios para a densificação da relação terapêutica, a reconstrução da identidade, a afirmação do lugar na comunidade e a recuperação dos poderes naturais. Conduziu ao encontro de um sentido para ruturas biográficas e desafiou ideias pré-concebidas, criando oportunidades para conexões e relacionamentos. Parece-nos urgente que se ofereça um palco a quem tem histórias por contar. Que se incentive a mudança, se amplifiquem as vozes das populações vulgarmente marginalizadas e se lute pela conexão – com o próprio e com o outro.
- Efeitos da Mirror Therapy na Funcionalidade do Membro Superior: Um Estudo Sobre a Perceção dos Terapeutas OcupacionaisPublication . Duarte, António; Gomes, António; Amado, Joicy; Martins, Ana PaulaIntrodução A Mirror Therapy, pela ilusão visual do espelho, modela o córtex primário somatosensorial e a excitabilidade corticomuscular, estimulando a reorganização cortical e a recuperação sensoriomotora. Estudos têm demostrado ser eficaz na melhoria da função motora a curto e médio prazo, nas atividades da vida diária, na negligência visuo-espacial e na redução da dor, especialmente em doentes com síndrome de dor regional complexa; Objetivos Descrever a perceção dos Terapeutas Ocupacionais quanto à aplicação da Mirror Therapy na sua prática profissional, nomeadamente os fatores que levam à sua aplicação, os efeitos e benefícios da técnica e as suas vantagens e limitações. Métodos Realizou-se um estudo qualitativo, exploratório, onde foram entrevistados nove terapeutas ocupacionais, com recurso a uma entrevista semiestruturada, construída e validada para o efeito; Resultados Na perceção dos Terapeutas Ocupacionais, a técnica Mirror Therapy apresenta como benefícios a diminuição da dor, desbloqueio dos movimentos no membro afetado, melhoria da sensibilidade e funcionalidade do membro superior; como aspetos negativos são enumeradas algumas dificuldades no controle espacial/ambiental, competências percetivas/cognitivas do doente, alto nível de concentração/atenção, ausência de evidência científica em condições neurológicas; Conclusões Para os Terapeutas Ocupacionais entrevistados, a Mirror Therapy é uma técnica segura e útil para ser aplicada na sua prática profissional que vem demonstrando resultados positivos na recuperação funcional dos doentes, contudo, carece de estudos que identifiquem o momento adequado para início da sua aplicação e a explicitação de um protocolo de intervenção.
- Mel com Fel: um estudo sobre a representação social do idoso em jovens residentes em Lisboa e no AlentejoPublication . Martins, Ana Paula; Fialho, Maria do Céu; Salvador, Luís; Pestana, SusanaPartindo da relevância que a literatura emprega, objetivou-se compreender, numa população jovem, os significados que marcam a fase do envelhecer, isto é, de que forma envelhecemos e qual a representação mental desse envelhecimento. A principal base deste estudo é desenvolvida no âmbito da Teoria das Representações Sociais de Serge Moscovici. Sentiu-se a necessidade de analisar o pensamento da população jovem acerca do conceito do envelhecimento, através da aplicação do estímulo indutor “Idoso”. Para tal, foram recolhidos dados na região do Alentejo e Lisboa. Sendo o presente estudo de natureza qualitativa, para realizar a análise dos dados, recorreu-se aos conhecimentos desenvolvidos por Abric, Moscovici e Vergés. Foram entrevistadas 190 pessoas, incluídas no espectro dos 10 aos 24 anos de idade, tanto do sexo masculino como do sexo feminino (Me = 16 anos). Após homogeneização e análise de conteúdo dos termos evocados (788 evocações), reuniram-se 14 subcategorias (Ciclo vital, Modificações Fisiológicas e Biológicas, Dependência / Independência Funcional, Saúde e Doença, Cognição, Caraterísticas de personalidade, Componentes Emocionais, Comportamentos e Atitudes, Família, Estatuto Social, Inclusão/Exclusão Social, Isolamento Social, Proteção Social, Aspetos Culturais). Assim, identificaram-se como elementos centrais os conceitos Estatuto Social, Ciclo Vital e Isolamento Social.
- Importância da Implementação de Programas de Prevenção de Quedas durante o Processo de Envelhecimento AtivoPublication . Santana, Maria Raquel; Carvalho, Daniela; Campos, Soraia; Aleixo, Ana; Gama, Elói; Martins, Ana PaulaA literatura salienta a importância de programas que estimulem a atividade física e cognitiva dos idosos, com o intuito de diminuir as quedas. Tendo em conta a necessidade de provar a pertinência de desenvolver programas de prevenção de quedas junto de idosos, o objetivo geral deste estudo consistiu em verificar o impacto de um programa de exercícios na diminuição do risco de quedas em idosos integrados numa Estrutura Residencial para Idosos (ERPI). Desenvolveu-se um estudo longitudinal prospetivo, com uma abordagem quantitativa e de natureza comparativa. Selecionou-se uma amostra não probabilística de 13 idosos, com base nos critérios: ter nacionalidade portuguesa, idade igual ou superior a 65 anos, residentes na ERPI selecionada, sem apresentar declínio cognitivo, avaliado através do Mini Mental State Examination (MMSE) e apresentar um score superior a 50 (alto risco), na Escala de Quedas de Morse. Implementou-se um programa de “Prevenção de Quedas” durante 8 semanas, com periodicidade trissemanal, com a duração de cada sessão de 60 minutos. Aplicou-se o Time Up & Go Test antes e após o programa de modo a avaliar o risco de queda dos idosos. Verificou-se uma diminuição do risco de queda, com uma redução estatisticamente significativa do score inicial (28.83seg) para o score final (21.95seg) do Time Up & Go Test (p=0.05). Em suma, concluiu-se que o programa de exercícios implementado teve um impacto positivo no desempenho das capacidades funcionais dos idosos, com consequente diminuição do risco de queda. Torna-se preponderante a inclusão de técnicos como o Terapeuta Ocupacional nas ERPI, de modo a desenvolver uma intervenção na estimulação/manutenção das competências motoras e cognitivas nos idosos, com vista à diminuição do risco de queda e aumento do seu bem-estar e qualidade de vida.
