ESTM - Mestrado em Biotecnologia dos Recursos Marinhos
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Percorrer ESTM - Mestrado em Biotecnologia dos Recursos Marinhos por orientador "Amorim, Ana Clara Azevedo de"
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- Caracterização do potencial dermatológico de exopolissacarídeos extraídos de dinoflagelados marinhosPublication . Clérigo, Iolanda Sofia Cruz; Martins, Alice Isabel Mendes; Amorim, Ana Clara Azevedo de; Alves, Celso Miguel da MaiaA pele humana é reconhecida por desempenhar funções vitais de proteção e regulação do organismo. No entanto, atualmente, a pele é vista não apenas como uma barreira biológica, mas também como um reflexo de saúde, vitalidade e beleza, estando associada ao estatuto social em sociedades desenvolvidas, o que tem impulsionado o elevado crescimento da indústria cosmética. Os organismos marinhos destacam-se como fontes excecionais de novas moléculas bioativas, uma vez que se desenvolvem em habitats sujeitos a condições de stress variáveis, o que estimula a produção de metabolitos secundários com elevado potencial biológico. Assim, ingredientes de origem marinha têm ganho destaque pela diversidade de compostos com potencial para promover a regeneração celular, prevenir o envelhecimento e proteger a barreira cutânea, constituindo alternativas seguras e eficazes face a diversos ingredientes sintéticos. Deste modo, o objetivo da presente dissertação consistiu em avaliar o potencial dermatológico de exopolissacarídeos (EPS) extraídos de três dinoflagelados marinhos: Protoceratium reticulatum, Gymnodinium catenatum e Prorocentrum lima. As amostras de EPS foram obtidas através de sucessivas centrifugações do meio de crescimento dos dinoflagelados, seguidas da precipitação do sobrenadante com etanol absoluto, diálise do pellet resultante e posterior liofilização. A caracterização química incluiu a quantificação de constituintes frequentemente associados a potenciais interferências ou propriedades bioativas, nomeadamente polifenóis, proteínas, sulfatos e ácidos nucleicos. Esta caracterização foi complementada pela análise do perfil químico das amostras por espectroscopia de infravermelho com transformada de Fourier (FTIR) e por espectroscopia de ressonância magnética nuclear de protão (¹H RMN). Paralelamente, foram realizados diferentes ensaios in vitro com o objetivo de avaliar o potencial dermatológico dos EPS, nomeadamente: i) capacidade antioxidante [redução do radical 2,2-difenil-1-picrilhidrazilo (DPPH), do radical superóxido (O₂•⁻) e do ião férrico (FRAP)]; ii) atividade anti-enzimática (colagenase, elastase, hialuronidase e tirosinase); iii) atividade antimicrobiana contra alguns microrganismos da microbiota da pele (Staphylococcus aureus, Staphylococcus epidermidis, Staphylococcus hominis e Cutibacterium acnes); iv) efeito fotoprotetor (produção de espécies reativas de oxigénio-ROS) e, v) atividade anti-inflamatória (níveis de óxido nítrico-NO). A análise por FTIR dos EPS obtidos evidenciou a presença de grupos funcionais caraterísticos de açúcares bem como a presença de grupos sulfato, enquanto a análise por ¹H RMN sugeriu a predominância de ligações β-glicosídicas entre os vários monómeros de açúcares, alguns possuindo grupos metilo. Quanto à presença de outros metabolitos, não foram detetados teores quantificáveis de proteínas e de polifenóis, sendo que, a quantificação de ácidos nucleicos revelou apenas níveis residuais. De um modo geral, os EPS não evidenciaram uma capacidade antioxidante relevante. Nos ensaios anti-enzimáticos, também não apresentaram atividade inibitória sobre as enzimas colagenase e hialuronidase, mas inibiram significativamente a atividade da elastase (P. reticulatum ≈ 15%) e da tirosinase (G. catenatum ≈ 18%). Quanto à atividade antimicrobiana, os EPS das espécies G. catenatum e P. lima reduziram o crescimento de S. aureus em cerca de 8%, sendo a espécie P. lima a que exibiu uma maior atividade antimicrobiana sobre a bactéria S. hominis, inibindo o seu crescimento em cerca de 12%. Relativamente ao potencial fotoprotetor em células HaCaT expostas a radiação UVA-B, nenhum EPS reduziu significativamente a produção de ROS nas concentrações sub-tóxicas testadas. Por sua vez, a análise do efeito anti-inflamatório em células RAW 264.7 mostrou reduções significativas na produção de NO quando induzida a inflamação através do tratamento com lipopolissacarídeos (LPS). Os EPS de P. reticulatum destacaram-se por reduzirem em cerca de 30% a produção de NO em todas as concentrações testadas (100, 300 e 1000 μg/mL), enquanto G. catenatum revelou efeito apenas a 100 μg/mL (25% de inibição). Destacaram-se os EPS de P. lima, que foram capazes de reduzir a produção de NO em mais de 40% a 300 μg/mL. Em síntese, os resultados indicam que os EPS dos dinoflagelados estudados apresentam propriedades seletivas com relevância para incorporação em formulações cosméticas, particularmente no controlo da degradação da elastina, regulação da síntese de melanina e modulação da resposta inflamatória.
