ESTM - Mestrado em Biotecnologia dos Recursos Marinhos
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Percorrer ESTM - Mestrado em Biotecnologia dos Recursos Marinhos por orientador "Alves , Celso Miguel da Maia"
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- Caracterização da atividade neuroprotetora de exopolissacarídeos extraídos de dinoflagelados marinhos: Protoceratium reticulatum; Gymnodinium catenatum; Prorocentrum limaPublication . Teixeira, Madalena Froés Ferreira Couto; Alves , Celso Miguel da Maia; Silva , Joana Rita Martins da; Ferreira , Ana de Jesus Branco de Melo de AmorimA doença de Parkinson (DP) é uma patologia neurodegenerativa progressiva caracterizada pela perda de neurónios dopaminérgicos e pela acumulação de corpos de Lewy, conduzindo a défices motores e cognitivos. As terapias atualmente disponíveis, como a Levodopa, são essencialmente sintomáticas e não alteram a progressão da doença. Compostos naturais marinhos, em particular os exopolissacarídeos (EPS), apresentam propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias, tornando-se candidatos promissores para estratégias neuroprotetoras. O principal objetivo da presente dissertação consistiu na caracterização química e na avaliação das atividades antioxidante, neuroprotetora e anti-inflamatória de EPS extraídos de três dinoflagelados marinhos: Protoceratium reticulatum, Gymnodinium catenatum e Prorocentrum lima. A caracterização incluiu análise da composição química, identificação de grupos funcionais por espetroscopia de infravermelho com transformada de Fourier (FTIR) e determinação estrutural por ressonância magnética nuclear de protão (1H RMN). As atividades biológicas foram avaliadas por ensaios antioxidantes (2,2-difenil-1-picril-hidrazilo (DPPH) (0–100 μg/mL), capacidade redutora férrica (FRAP) (100 μg/mL) e redução do anião superóxido (0–100 μg/mL), efeito neuroprotetor em células SH-SY5Y não diferenciadas e diferenciadas (3–300 μg/mL; 24 h) com ácido retinóico (10 μM) e forbol (TPA; 80 μM) expostas à neurotoxina 6-hidroxidopamina (6-OHDA; 100 μM), e atividade anti-inflamatória (1–100 μg/mL; 24 h) em células de microglia BV-2, com base na produção de óxido nítrico (NO). Os EPS apresentaram elevada pureza, evidenciada pela presença residual de compostos fenólicos, proteínas ou ácidos nucleicos, na sua composição. P. reticulatum exibiu o maior teor de sulfatos (106,10 ± 7,63 mg eq Na₂SO₄/g EPS). Embora não tenha sido possível determinar o conteúdo total de carboidratos, todas as espécies apresentaram bandas de absorção típicas de exopolissacarídeos (3500–3394 cm⁻¹; 1663–1619 cm⁻¹; 1442–1423 cm⁻¹; 1150–990 cm⁻¹; 873 cm⁻¹; 667–597 cm⁻¹) através dos dados obtidos pela técnica de FTIR. A análise de 1H RMN revelou desvios químicos característicos de estruturas polissacarídicas e a predominância de ligações β-glicosídicas (δ 4,74 ppm), além da deteção de grupos metilo (δ 1,25–1,16 ppm) e acetilo (δ 1,84 ppm). Relativamente à atividade antioxidante, os EPS não demonstraram qualquer efeito significativo. De igual modo, nos ensaios realizados com células SH-SY5Y expostas à 6-OHDA, não foi possível observar qualquer atividade neuroprotetora, tanto em células não diferenciadas como em células diferenciadas. Em microglia BV-2 não estimulada com lipopolissacarídeos (LPS), os EPS não alteraram significativamente os níveis de NO, indicando ausência de ativação microglial em condições fisiológicas. Contudo, em células BV-2 estimuladas com LPS, os EPS de P. reticulatum, G. catenatum e P. lima reduziram a produção de NO entre 20 e 30% Concluindo, embora os EPS não tenham apresentado atividade antioxidante ou neuroprotetora, a sua capacidade de reduzir a produção de NO em microglia ativada demonstra o seu potencial anti-inflamatório. Este estudo representa a primeira caracterização e avaliação biológica de EPS de P. reticulatum, G. catenatum e P. lima, fornecendo dados pioneiros que ampliam o conhecimento sobre EPS com origem em dinoflagelados e sustentam a continuação do seu estudo em futuras estratégias neuroprotetoras.
