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Orientador(es)
Resumo(s)
Esta investigação, de natureza mista e caráter exploratório, teve como objetivo central analisar a formação continuada ofertada a professores alfabetizadores do Centro Municipal de Alfabetização de Maravilha, em Alagoas, Brasil, com foco em sua relação com o uso das Tecnologias da Informação e da Comunicação (TIC) e seus reflexos na prática docente. O estudo foi guiado pela questão principal: De que maneira a formação contínua em TIC transforma as práticas pedagógicas e a didática do professor em contexto de alfabetização? Como subquestão, buscou-se averiguar: Os professores possuem competências digitais para utilizar a tecnologia a favor da aprendizagem? Para responder a esses questionamentos, a pesquisa empregou uma abordagem metodológica mista, utilizando-se de quatro instrumentos de recolha de dados: análise documental, observação em contexto, entrevistas e questionários, garantindo assim uma triangulação robusta das informações. Os resultados obtidos revelam uma contradição significativa entre a compreensão teórica dos educadores e sua capacidade de execução prática. Por um lado, os professores alfabetizadores demonstraram possuir um entendimento claro sobre o que é tecnologia, reconhecendo sua função primordial na educação contemporânea e seu potencial para ressignificar o processo de ensino e aprendizagem, tornando-o mais dinâmico e atraente para os alunos. Eles identificam corretamente o papel do educador como mediador e da escola como promotora de letramentos na era digital, evidenciando que a formação continuada foi eficaz em consolidar um discurso pedagógico alinhado com as demandas atuais. Por outro lado, constatou-se que esse conhecimento teórico não se traduz em uma transformação efetiva da didática em sala de aula. O principal impedimento é o nível de competência digital dos docentes. A pesquisa identificou que 60% dos educadores encontram-se no nível de proficiência A1 (Recém-chegado), o que denota uma consciência sobre o potencial das TIC, mas um domínio técnico e pedagógico muito limitado para sua integração crítica e criativa nas atividades de alfabetização. Este fato responde diretamente à subquestão, indicando que os professores, em sua maioria, não possuem as competências digitais necessárias para empregar as tecnologias de forma plena e
eficaz a favor da aprendizagem. Este abismo entre a teoria e a prática é amplificado por desafios contextuais graves: a carência de infraestrutura é um obstáculo material incontornável. A falta de aparelhos digitais para docentes e discentes, somada a uma conexão de internet fragilizada e que não alcança as salas de aula, inviabiliza qualquer tentativa de implementação consistente do que é proposto na formação. Nesse cenário, a própria estrutura da formação continuada mostrou-se inadequada, sendo necessária uma reavaliação profunda de seu desenho para que passe a abordar, de forma prática e realista, as necessidades específicas e as limitações enfrentadas pelos professores alfabetizadores da rede municipal.
Em conclusão, os resultados apontam que, no contexto investigado, a formação continuada em TIC ainda não exerceu um papel transformador sobre as práticas pedagógicas e a didática dos professores. Embora tenha sido bem-sucedida em construir uma base teórica e uma intenção pedagógica inovadora, ela falha em superar as barreiras técnicas (baixa proficiência digital) e materiais (falta de infraestrutura), não proporcionando, portanto, as ferramentas e condições necessárias para que a transformação didática almejada se concretize na prática cotidiana da alfabetização.
Descrição
Palavras-chave
Formação Contínua Tecnologias da Informação e da Comunicação (TIC) Alfabetização Sala de Aula
