ESSLei - Mestrado em Fisioterapia - Área de Especialização em Fisioterapia Pediátrica
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- DESTREZA MANUAL EM CRIANÇAS EM IDADE PRÉ-ESCOLAR: RELAÇÃO COM INDICADORES DE DESEMPENHO NO JOGO DE TABULEIRO TATIPublication . Gomes, Maria dos Anjos Araújo; Moreira, Ana Maria Nunes Machado; Rosa, Marlene Cristina Neves; Silva, Cândida Susana Gonçalves daA destreza manual (DM) é um componente fundamental do desenvolvimento motor infantil, com impacto direto na realização de tarefas da vida diária e escolares. A sua avaliação tem sido tradicionalmente realizada com recurso a testes padronizados, como o Teste Purdue Pegboard (PPT), que permitem medir a velocidade e precisão dos movimentos finos. No entanto, estes testes podem apresentar limitações ao nível do envolvimento e motivação da criança, pois são frequentemente menos atrativos e menos representativos das situações do quotidiano. Em contrapartida, abordagens baseadas em jogos, como o jogo de tabuleiro TATI, podem potenciar a motivação e permitem observar o desempenho motor de forma mais espontânea e natural. Objetivo: O presente estudo teve como objetivo principal analisar o desempenho motor de crianças entre os 4 e os 6 anos no jogo de tabuleiro TATI e explorar o seu potencial como instrumento de avaliação da DM. Metodologia: Participaram neste estudo 47 crianças com idades compreendidas entre os 4 e os 6 anos, recrutadas em valências pré-escolares. Cada criança foi avaliada com Teste Purdue Pegboard (PPT) e com o jogo de tabuleiro TATI. Foram analisadas variáveis de desempenho: tempo de execução das tarefas (mão direita, mão esquerda e bilateral), o número de tentativas para concluir as jogadas e ocorrência de erros. Além disso, foram calculadas correlações entre os resultados obtidos nos dois instrumentos. Resultados: Os resultados evidenciaram diferenças significativas entre faixas etárias no tempo de execução do TATI: mão direita (p=0,026), mão esquerda (p=0,009) e bilateral (p<0,001). Crianças com 6 anos apresentaram tempos significativamente menores comparativamente às crianças de 4 e 5 anos, em todas as condições. Verificaram-se, ainda, correlações negativas entre o desempenho no TATI e no PPT: mão direita (ρ=–0,31; p=0,032), mão esquerda (r=–0,38; p=0,008) e bilateral (ρ=–0,45; p=0,001), sugerindo que melhores desempenhos no teste estavam associados a desempenhos mais rápidos no jogo. Discussão: À semelhança das tendências encontradas para o PPT, observaram-se diferenças significativas entre as idades, com crianças mais velhas a apresentarem tempos de execução mais reduzidos no TATI, indicando uma melhoria progressiva da eficiência motora com o desenvolvimento etário, conforme descrito na literatura. Adicionalmente, o TATI demonstrou maior variabilidade nos resultados entre participantes, possivelmente devido à sua maior similaridade com contextos ecológicos, o que poderá refletir uma sensibilidade acrescida a fatores como motivação, atenção e estratégias individuais na execução motora. A variabilidade observada nos desempenhos reforça a hipótese de que o TATI consegue evidenciar diferentes perfis de desenvolvimento motor, tornando-se um recurso útil em contextos de avaliação. A sua natureza lúdica pode ainda favorecer a adesão das crianças ao processo de avaliação da DM. Conclusão: Este estudo permitiu concluir que o jogo de tabuleiro TATI apresenta potencial como ferramenta para a avaliação da DM em idade pré-escolar, sendo capaz de diferenciar níveis de DM em crianças de diferentes faixas etárias, em concordância com os resultados obtidos no teste padronizado, PPT.
- FATORES QUE INFLUENCIAM A TOLERÂNCIA AO ESFORÇO EM CRIANÇAS COM PARALISIA CEREBRALPublication . Ramalho, Beatriz Antunes; Moreira, Ana Maria Nunes Machado; Silva, Cândida Susana Gonçalves daIntrodução: A Paralisia Cerebral (PC) consiste num grupo de desordens no desenvolvimento do controlo motor e da postura, como resultado de uma lesão não progressiva aquando do desenvolvimento do sistema nervoso central. As crianças com PC que realizam marcha autónoma apresentam uma tolerância ao esforço reduzida como resultado de comorbilidades primárias e secundárias relacionadas com a PC, o que podem contribuir para baixos níveis de atividade física (AF) e limitações na mobilidade funcional. No entanto, a informação relativa aos fatores que podem influenciar a tolerância ao esforço em crianças com PC ainda é escassa. Objetivos: O principal objetivo deste estudo foi identificar os fatores relacionados com a tolerância ao esforço em crianças com PC, especificamente em crianças com níveis I e II da Gross Motor Function Classification System (GMFCS). Os fatores foram divididos em: fatores individuais (idade, sexo), diagnóstico clínico (hemiplegia, diplegia e tetraparésia), estado nutricional (IMC), alterações posturais e tónus muscular, e fatores contextuais (realização de terapia e a prática de AF). Métodos: Foram recrutadas 16 crianças com PC com idades entre os 6 e os 17 anos. Foi aplicada o Physical Activity Index (PAI) para a caracterização dos níveis da atividade física, a escala de Awshorth Modificada para avaliar o tónus muscular e o Instrumento de Avaliação Postural (IAP) para avaliar as alterações posturais. Estas crianças fizeram o Teste de Marcha dos 6 Minutos (TM6M) segundo as recomendações da American Thoracic Society. Os valores da distância percorrida em metros no TM6M e distância prevista alcançada (%) foram comparados entre os grupos de crianças definidos pelas variáveis: diagnóstico clínico, GMFCS, tipo de intervenção na fisioterapia, prática de AF/desporto, níveis de AF (PAI) e alterações posturais. Resultados: Foram incluídas 16 crianças com PC (média de 11,2±3,9 anos, n=5 sexo feminino; 7 hemiparesia, 7 diplegia e 2 tetraparésia; n=12 GMFCS Nível I). As crianças com diagnóstico clínico de hemiparésia tiveram uma média superior de metros percorridos no TM6M em comparação com a diplegia (84,8±12,1 vs. 65,6±12,1, respetivamente; p=0,045). Foram encontradas correlações significativas entre a distância percorrida no TM6M e a pontuação total na PAI (r=0,585 p<0,028) e com um aumento do tónus muscular de dois grupos musculares do membro inferior direito, especificamente nos grupos musculares distais de flexão (=-0,563, p<0,045), e nos grupos musculares proximais de flexão (=-0,602, p<0,029). Foram encontradas correlações significativas entre a percentagem de distância prevista no TM6M e a idade (r=-0,536 p<0,048), tónus muscular do membro inferior direito nos grupos musculares distais de extensão (=-0,560, p<0,046) e de flexão (=-0,599, p<0,030), e também nos grupos musculares proximais de extensão (=-0,673, p<0,012) e de flexão (=-0,744, p<0,004). Conclusão: Este estudo sugere que existem fatores que podem condicionar a tolerância ao esforço em crianças com PC como a idade, o diagnóstico clínico, o aumento de tónus muscular no membro inferior direito e o nível de AF autorreportado.
- INFLUÊNCIA DE UM PROGRAMA DE FISIOTERAPIA NOS AJUSTES POSTURAIS EM CRIANÇAS COM ALTERAÇÕES NEUROMOTORASPublication . Almeida, Cátia Alexandra Moita de; Moreira, Ana Maria Nunes Machado; Araújo, Cristina LimaO sistema nervoso é uma rede complexa que se divide em sistema nervoso central e sistema nervoso periférico. No sistema nervoso central podem ocorrer alterações que levam ao desenvolvimento de perturbações estruturais ou funcionais, provocando um desenvolvimento motor atípico, sendo designados distúrbios neuromotores. Devido a estas alterações, as crianças apresentam dificuldade na participação nas atividades de vida diária, por diversos fatores, entre os quais a estabilidade postural e ajustes posturais. É importante avaliar a influência da intervenção da fisioterapia pois visa, nestes casos, favorecer a correção ou minimizar estratégias compensatórias, melhorando a função motora grossa e a qualidade de vida. Este estudo tem como objetivo verificar se a intervenção em Fisioterapia em simultâneo com a aplicação de um programa de atividades domiciliárias, delineadas no âmbito da fisioterapia, têm influência nos ajustes posturais em crianças com alterações neuromotoras. Este trata-se de um estudo quasi-experimental. A amostra final foi constituída por 12 crianças com condições neuromotoras associadas a diagnóstico médico. Para cada criança foram considerados dois momentos de avaliação, antes e depois do programa de intervenção. No primeiro momento foi aplicada a Medida da Função Motora Grossa-88 para classificar a função motora grossa. De seguida, em ambos os momentos de avaliação, foi aplicada a Escala de Equilíbrio de Berg e o Teste de Alcance Funcional, bem como uma plataforma de forças para analisar dados referentes aos ajustes posturais, como os limites de estabilidade e o deslocamento do centro de pressão. Após 8 semanas de intervenção em fisioterapia conciliada com um programa de atividades domiciliário, os resultados obtidos sugeriram melhores resultados na Escala de Equilíbrio de Berg e no Teste de Alcance Funcional. Os dados obtidos da plataforma de força sugerem, na maioria dos casos, um aumento nos limites de estabilidade. No entanto, em relação ao deslocamento do centro de pressão, em tarefa, os resultados não foram tão positivos quanto o esperado e não coincidiram com a melhoria dos limites de estabilidade na maioria dos casos. Não foi verificada significância estatística quando comparados os dados relacionados com os ajustes posturais entre mudanças de tónus, no entanto, tanto as crianças com hipotonia como as com hipertonia mostraram melhoria na Escala de Equilíbrio de Berg e maximum excursion composite, mas as crianças com hipotonia demonstraram melhores resultados na avaliação final. Foi também verificado que o programa de atividades de casa demonstrou potenciar os resultados obtidos neste estudo. Os resultados obtidos no presente estudo sugerem, assim, que um programa de intervenção em fisioterapia de 8 semanas complementado por um programa domiciliário demonstra ter um impacto positivo nos ajustes posturais das crianças com alterações neuromotoras. A complementação com um programa de atividades domiciliárias, no âmbito da fisioterapia, favorece uma maior funcionalidade, trazendo benefícios às atividades da vida diária e participação de crianças com essas condições.
- O Impacto do Papel Educativo do Fisioterapeuta no Conhecimento Parental sobre o Desenvolvimento Motor Infantil dos 0 aos 12 mesesPublication . Fernandes, Joana Alexandra Gonçalves; Moreira, Ana Maria Nunes Machado; Rocha, Andreia Sara SilvaO conhecimento dos pais sobre os marcos do desenvolvimento motor é crucial para um desenvolvimento infantil saudável, sendo a intervenção do fisioterapeuta uma oportunidade de capacitação parental e de promoção de práticas mais informadas. Este estudo investigou o impacto de uma única sessão de fisioterapia no conhecimento parental sobre o desenvolvimento motor em bebés dos 0 aos 12 meses com atraso no desenvolvimento neuromotor. Métodos: Trata-se de um estudo quase-experimental, sem grupo de controlo, que incluiu 27 pais/mães de bebés (0–12 meses) com diagnóstico de atraso no desenvolvimento neuromotor, encaminhados para fisioterapia entre novembro de 2024 e maio de 2025. A recolha de dados envolveu um questionário sociodemográfico e a avaliação do bebé através das subescalas da Schedule of Growing Skills II (SGS-II). O questionário foi reaplicado 15 dias após a realização de uma sessão única de fisioterapia. Resultados: A amostra foi constituída maioritariamente por mães (63,00%; n = 17), com média de idade de 35,19 ± 3,94 anos. Não se observaram diferenças significativas no conhecimento objetivo após a intervenção. Contudo, verificou-se uma melhoria significativa na perceção subjetiva do conhecimento parental. No momento pós-intervenção, mães e participantes com maior nível de escolaridade apresentaram pontuações superiores. Conclusão: O estudo demonstrou o contributo da fisioterapia na capacitação parental e na promoção de conhecimentos para o apoio ao desenvolvimento infantil. Apesar de não se terem verificado diferenças estatisticamente significativas no conhecimento parental, observou-se uma tendência positiva e melhoria significativa na perceção do seu conhecimento. Estes resultados apontam para a necessidade de intervenções mais prolongadas e estruturadas, de modo a maximizar o conhecimento e a capacitação parental.
