Escola Superior de Artes e Design
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- Exposição do ano da ESAD.CR 2025 – Não Faço *Publication . Ribeiro, Luís Miguel Macedo; Cardoso, Carla M; Afonso, Lígia Filipa Dias“Não Faço *” é o título da exposição de finalistas de uma geração que se apresenta sem medo de afirmar o que não é. Num tempo em que tudo exige definições rápidas, posicionamentos visíveis e discursos sólidos, optamos pela abertura, pela dúvida e pela provocação. O espaço vazio do título não é um erro: é um espaço em branco para ser preenchido. Uma frase aberta, que se adapta e se transforma conforme a voz que a usa. É uma estrutura mutável que convida à afirmação ou à recusa: “Não faço puto.” “Não faço parte.” “Não faço ideia.” “Não faço guerras.” “Não faço um caralho.” Cada possibilidade é válida e faz parte da constelação de discursos que esta exposição acolhe, seja crítica, brincadeira, manifesto, resistência ou constatação honesta. Enquanto Escola de Artes e Design, enfrentamos frequentemente estereótipos que nos associam à ideia de quem nada faz. Respondemos com ironia, liberdade e criatividade. O asterisco no título “Não Faço *” é um espaço aberto à interpretação e à identidade individual. Cada um preenche com aquilo que o define ou com aquilo que recusa ser. Mais do que um jogo linguístico, “Não Faço *” reflete a essência do processo artístico e académico: trabalhar sem certezas, errar, experimentar, construir significados durante o percurso. Aqui, o estar perdido é oportunidade. Desenvolvemos pensamento crítico e capacidades que transcendem respostas definitivas. Cada trabalho é uma declaração de intenção, um posicionamento social ou existencial, uma tomada de consciência sobre o papel do criador na sociedade: sobre aquilo que se escolhe questionar, rejeitar ou transformar. O “não” é, também, palavra afirmativa. É resistência. É largar o que já nada nos diz. Fazemos o que sentimos, não porque devemos. Fazemos muito, queremos mudanças — mas o que é que não fazemos? O que não nos representa? De 4 a 7 de junho, este espaço reúne encontros. Pessoas e ideias enchem as salas, para ver o que se faz e o que foi feito. O trabalho exposto simboliza o último marco destes alunes cujo ciclo se encerra. Celebra-se o percurso académico, combatendo a pressão dos resultados imediatos com a emancipação do intangível e o ato de nos ouvirmos uns aos outros. No fim — que é sempre um novo início — há que fazer escolhas e impor limites. Olhamos adiante com mais perguntas do que certezas, mas aprendemos, pelo caminho, não só aquilo que queremos afirmar, mas também o que não nos interessa no mundo ao qual agora pomos as mãos. “Não Faço *” é, afinal, o espaço onde cada um pode ser. Ou não ser. E isso, por si só, já é fazer muito. Turma do 2º ano Licenciatura em Programação e Produção Cultural 2023/2024
