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- Crenças e atitudes dos enfermeiros dos cuidados de saúde primários sobre os cuidados centrados na famíliaPublication . Rocha, Ana Patrícia Gil; Vidinha, Telma Sofia dos SantosEnquadramento: Desde a década de 1970 que se tem observado a evolução e a mudança de paradigmas dos cuidados de saúde primários (CSP), inicialmente focados no modelo biomédico e atualmente no foco da família como unidade de cuidados (Melo, 2021). Esta evolução foi acompanhada pelo desenvolvimento da área de enfermagem de saúde familiar (ESF), que atualmente é uma área conceituada para a promoção de saúde e acompanhamento dos sistemas familiares ao longo de todo o seu ciclo vital (Figueiredo, 2012). Torna-se, por conseguinte, importante adotar uma prática de enfermagem centrada na família, com base em modelos que considerem o indivíduo no contexto familiar e social, promovendo a participação ativa de todos os intervenientes (Oliveira et al., 2011). Vários estudos demonstram que a qualidade dos cuidados depende das atitudes dos enfermeiros face à inclusão da família. Contudo, esta não é a única variável que influencia a sua inclusão (Fernandes et al., 2015; Oliveira et al., 2011). Outros estudos apontam para a influência das crenças dos enfermeiros no seu comportamento e nas suas práticas diárias, sugerindo que estas podem afetar de forma inconsciente a integração da família nos seus cuidados (Hraunfjörd et al., 2024; Nobokuni et al., 2021). No presente relatório, será efetuada uma breve contextualização da prática clínica de ESF, do local onde decorreu o estágio, dos modelos teóricos que serviram de suporte ao estágio e ao projeto de investigação, bem como do trabalho resultante da aplicação da prática baseada em evidência durante o estágio. Objetivos: Contextualizar os CSP, focando na Unidade de Saúde Familiar (USF) onde decorreu o estágio entre 28 de abril de 2025 e 29 de janeiro de 2026. Refletir sobre a aquisição das competências gerais e específicas do Enfermeiro Especialista em Enfermagem Comunitária na área de ESF desenvolvidas a partir da análise críticas das atividades desenvolvidas. Evidenciar, por meio de um projeto de investigação, quais as crenças e atitudes dos enfermeiros face aos cuidados centrados na família, analisar a sua relação, bem como a se existe ligação com variáveis sociodemográficas e profissionais, e identificar crenças que funcionem como obstáculos ou facilitadores dessa abordagem. Metodologia: A análise de indicadores e dados estatísticos configura-se como um instrumento central para a caracterização e contextualização da população abrangida pela USF. Posteriormente, procede-se ao desenvolvimento das competências comuns e específicas do Enfermeiro Especialista em Enfermagem Comunitária, na área de ESF, sustentado numa análise crítico-reflexiva das práticas desenvolvidas ao longo do estágio. O projeto de investigação assenta num estudo de abordagem mista, de natureza descritiva, relacional e transversal, no qual foi aplicada a escala “Importância das Famílias nos Cuidados de Enfermagem – Atitudes dos Enfermeiros”, originalmente criada por Benzein et al. (2008) e posteriormente traduzida e adaptada para versão portuguesa por Oliveira et al. (2011), complementada por três questões abertas, a uma amostra de 49 enfermeiros dos contextos de USF e Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados da Unidade Local de Saúde onde decorreu o estágio. Este teve como objetivo geral analisar a relação entre as crenças e as atitudes dos enfermeiros face aos cuidados centrados na família em contexto de CSP e como objetivos específicos avaliar as atitudes dos enfermeiros dos CSP face aos cuidados centrados na família, analisar a relação entre as atitudes e as variáveis sociodemográficas e profissionais dos enfermeiros de CSP, explorar as crenças dos enfermeiros dos CSP relativamente à família enquanto foco de cuidados e identificar quais crenças são percecionadas como obstáculos e como facilitadores dos cuidados centrados à família, por parte dos enfermeiros de CSP. Resultados: Sobre o relatório, emergem as atividades desenvolvidas para a concretização das competências gerais e específicas do Enfermeiro Especialista em Enfermagem Comunitária na área de ESF, que advêm do percurso desenvolvido ao longo do estágio. Relativamente ao projeto de investigação, a maioria dos participantes é do género feminino, com uma média de idades compreendia em 50,306 anos e tempo de experiência profissional média de 27,796 anos, são licenciados e trabalham em contexto de USF. Não se verificaram associações estatisticamente significativas entre as variáveis sociodemográficas e profissionais e as atitudes observadas na amostra em relação à família enquanto foco de cuidados. Relativamente às crenças dos participantes, foram identificados obstáculos de natureza cultural, familiar, comunicacional e ética, e como estratégias para a sua superação a adoção da prática baseada na evidência e a implementação de uma abordagem holística aos cuidados. Como consequências positivas do uso das crenças na prática clínica, destacam-se: Promoção de boas práticas em saúde; fortalecimento da comunicação e o maior envolvimento da família nos cuidados. Por fim, a conceptualização de família enquanto foco de cuidados foi categorizada em três dimensões: Família como unidade de cuidados, família como recurso e parceira no processo de cuidar e família como fonte de empoderamento. Conclusão: O presente relatório sistematiza o percurso formativo realizado na USF onde decorreu o estágio, sustentado nos objetivos gerais e específicos preconizados, evidenciando o processo de aquisição e consolidação de competências no âmbito da Enfermagem Comunitária na área da ESF. Relativamente ao projeto de investigação, os resultados indicam não existir associação entre as características sociodemográficas e profissionais dos enfermeiros e as atitudes face à família enquanto foco de cuidados. Simultaneamente, demonstram que a presença de crenças e atitudes favoráveis à centralidade da família favorece a adoção de práticas clínicas concordantes com as orientações normativas nacionais e internacionais, promovendo a sua integração efetiva no processo de cuidar. Implicações para a prática clínica: Face às condicionantes identificadas, os achados reforçam a necessidade de investir em estratégias formativas e de suporte à prática que facilitem a integração sistemática da família nos cuidados de enfermagem, bem como na conceção e implementação de instrumentos e indicadores específicos que permitam monitorizar e evidenciar o impacto das crenças e atitudes dos profissionais na qualidade dos cuidados, particularmente no contexto da ESF.
