Percorrer por autor "Silva, Ana Raquel Alves Vitoriano da"
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- Cidade como ecossistema: Biomimicry Thinking na gestão de resíduos sólidos urbanosPublication . Silva, Ana Raquel Alves Vitoriano da; Sousa, Helena Manuela Pala Dias de; Heleno, Maria Lizete LopesO crescimento acelerado das cidades, associado ao aumento dos padrões de consumo e à linearidade dos sistemas produtivos, tem intensificado a geração de resíduos sólidos urbanos, tornando a sua gestão um dos principais desafios ambientais contemporâneos. Nesse contexto, observa-se que as soluções tradicionalmente adotadas, baseadas principalmente na disposição final e na reciclagem, são insuficientes para responder à complexidade dos fluxos urbanos atuais. Diante deste cenário, esta dissertação propõe o Biomimicry Thinking como abordagem metodológica inovadora para a gestão de resíduos sólidos urbanos, considerando a cidade como um ecossistema vivo, capaz de regeneração e adaptação. O Biomimicry Thinking utiliza a natureza como modelo, medida e mentora para a construção de soluções sustentáveis, e baseia-se na aplicação do Design Lens como ferramenta metodológica para identificação e integração de estratégias bioinspiradas. A partir dessa abordagem, são explorados os níveis da biomimética e sua aplicação ao ambiente construído, considerando as cidades como sistemas complexos, interdependentes e dinâmicos. Esta abordagem evidencia assim a necessidade de transitar de modelos lineares para fluxos cíclicos, inspirados nos processos naturais, nos quais os resíduos são reinterpretados como recursos. Como estudo de caso, é analisado o município de Fortaleza, Brasil, caracterizado por forte desigualdade socioespacial, crescimento urbano acelerado e desafios na gestão de resíduos sólidos urbanos. Ao analisar as iniciativas existentes, este trabalho identifica conflitos no ecossistema urbano, incluindo desigualdade socioambiental, descarte irregular e limitações estruturais, mas também destaca práticas inovadoras e potencialidades bioinspiradas. Com base no Design Lens, são propostas estratégias biomiméticas para a gestão de resíduos, considerando a integração entre natureza, sociedade e infraestrutura urbana. São apresentadas as limitações à implementação do Biomimicry Thinking, incluindo-se, como sugestão metodológica, o reconhecimento de desafios institucionais, culturais e técnicos, bem como a necessidade de abordagens sistêmicas e colaborativas. Conclui-se que o Biomimicry Thinking apresenta potencial significativo para orientar a transição de cidades lineares para cidades regenerativas, contribuindo para a gestão de resíduos, fortalecimento do metabolismo urbano e promoção de soluções integradas. Ao compreender a cidade como um ecossistema, torna-se possível desenvolver estratégias mais resilientes, adaptativas e sustentáveis, alinhadas às dinâmicas naturais e às necessidades urbanas contemporâneas.
