Percorrer por autor "Duarte, Beatriz dos Reis"
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- Estudo dos fatores de seleção de habitat para o assentamento bentónico em ouriços-do-mar, Paracentrotus lividus (Lamarck, 1816)Publication . Duarte, Beatriz dos Reis; Lourenço , Sílvia Alexandra PereiraO ouriço-do-mar comum Paracentrotus lividus (Lamarck, 1816), é uma espécie de elevado valor comercial devido à acentuada procura pelas suas ovas. Este facto tem levado à sobre exploração dos seus stocks e consequente diminuição acentuada das populações. Com o avanço da aquacultura e o crescente interesse no restauro de ecossistemas marinhos, têm sido desenvolvidas estratégias que visam mitigar estas quebras e promover a recuperação das populações naturais. Um dos principais desafios da aquacultura de ouriços-do-mar é a transição entre as fases planctónica e bentónica, momento crítico do ciclo de vida. Durante esta transição, as larvas sofrem metamorfose e fixam-se num substrato que deve fornecer proteção e alimento para o início de vida bentónica. Em meios controlados, é essencial reproduzir as condições naturais, identificando fatores que promovam o sucesso do assentamento e reduzam a mortalidade. O principal objetivo deste estudo foi otimizar a etapa do assentamento larvar através da utilização de placas de cerâmica impressas em 3D, acondicionadas de diferentes formas para criar biofilme. Complementarmente, foi testado um protocolo de marcação com calceína para otimizar a monitorização dos juvenis assentados. Os reprodutores foram capturados na costa de Peniche e induzidos à fertilização artificial, monitorizando-se o desenvolvimento das larvas até à fase de metamorfose. Foram testados diferentes tipos de acondicionamento para formação de biofilme: Cultivo de Microalgas, composto por duas diatomáceas bentónicas (Skeletonema costatum e Nitzschia acicularis) em meio laboratorial; Indoor, composto por fitoplâncton natural recolhido numa praia rochosa e cultivado em laboratório; e Outdoor, formado naturalmente em placas submersas a 1 metro de profundidade no porto e numa praia de Peniche. Após a metamorfose, foram avaliados o sucesso de assentamento e o crescimento dos ouriços-do mar ao longo de oito semanas. O acondicionamento outdoor apresentou a taxa de assentamento larvar mais elevada, possivelmente devido à sua maior semelhança com meio natural. No crescimento dos juvenis, o acondicionamento indoor destacou-se até à quarta semana, sendo posteriormente ultrapassado pelo biofilme de microalgas. No entanto, não foi observada efeito significativo entre o tipo de biofilme e o crescimento, reforçando a importância da progressão temporal no desenvolvimento juvenil. Com os indivíduos obtidos neste ensaio, foram testadas diferentes concentrações de calceína, sendo estas inicialmente de 10, 20 e 50 mg/L em indivíduos menores (Diâmetro: 0,11-2,80 mm), seguidas de 100, 150 e 200 mg/L em indivíduos de tamanhos superiores (Diâmetro: 2,52 – 7,24 mm). A marcação revelou eficácia em juvenis de tamanho superior, apresentando baixa mortalidade e ausência de efeitos negativos no crescimento. Embora se tenha observado uma limitação na observação da marcação de calceína ao longo do tempo. Em síntese, os acondicionamentos testados foram adequadamente aceites pelas larvas de P. lividus, destacando-se o tratamento outdoor pela maior taxa de assentamento. Os resultados obtidos reforçam a importância da integração entre fatores biológicos e ambientais para o sucesso das fases iniciais de desenvolvimento da espécie, contribuindo para o avanço de práticas sustentáveis de aquacultura e repovoamento.
